A eleição geral de Israel, prevista para o fim de outubro, pode redefinir a política do país em meio a uma sociedade mais dividida e a um cenário regional transformado. A avaliação é de André Lajst, presidente da StandWithUs Brasil, que esteve recentemente em Israel para observar o ambiente antes do pleito.
Para Lajst, a votação será a mais importante da história do país — ou, ao menos, dos últimos cinquenta anos. A comparação feita por ele é com a eleição realizada após a Guerra de Yom Kippur, marcada por uma falha militar que levou à morte de quase 3 mil soldados israelenses em três semanas. Desta vez, porém, há também um componente civil, associado aos ataques de 7 de outubro de 2023 e aos 251 sequestros de israelenses.
“Gente que ficou um ano e meio em Gaza. Em túneis”, afirmou Lajst ao descrever o peso dos sequestros para o debate político. O cientista político também relaciona a mudança no Oriente Médio à guerra em Gaza, à guerra no Líbano, à queda do governo sírio e às duas guerras no Irã. Na avaliação dele, esse conjunto de acontecimentos tornou possíveis novas coalizões políticas.
Polarização e impasse
Cerca de um mês antes da eleição, Lajst descreve Israel como um país muito dividido. A polarização, segundo ele, deixou de se organizar principalmente entre esquerda e direita e passou a ser expressa por oposições como “certos e errados” e “nacionalistas e traidores”.
O ex-general Gedi Eisenkot aparece nas pesquisas como favorito e possível substituto do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Ainda assim, o resultado permanece indefinido. As pesquisas indicam que nem o governo atual nem a oposição, sem os partidos árabes, alcançam maioria. Com isso, o grupo governista não conseguiria manter a mesma composição, enquanto a oposição sionista, da esquerda à direita, também precisaria de apoio externo à sua aliança.
A relação com os Estados Unidos também pode ser afetada por uma eventual mudança de liderança. Lajst afirma que os vínculos entre os dois países envolvem áreas ministeriais, governamentais, profissionais, militares e de inteligência. Para ele, embora a relação entre Donald Trump e Netanyahu seja especial, um novo primeiro-ministro israelense poderia manter com Trump uma relação mais republicana e menos pessoal.


