O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, apresentou um plano para retirar todos os palestinos da Faixa de Gaza e enviá-los para outros países. A proposta prevê a saída de 250 mil pessoas no prazo de um ano e a transferência dos aproximadamente 2 milhões de habitantes restantes ao longo dos seis anos seguintes.
Ben-Gvir, integrante do partido de ultradireita Poder Judaico e da coalizão governista, afirmou que a iniciativa seria viável e defendeu o incentivo à emigração dos moradores de Gaza. Ele negou, porém, que o projeto tenha como objetivo obrigar os palestinos a abandonar suas terras. O ministro disse ainda que vários países estariam dispostos a acolhê-los, sem informar quais.
O plano foi apresentado na quinta-feira (3). No dia seguinte, o Hamas pediu que países árabes e muçulmanos se opusessem à proposta, que classificou como uma tentativa de deslocamento forçado da população do território.
Disputa política e reação internacional
A iniciativa ocorre antes das eleições gerais em Israel, marcadas para 27 de outubro. O pleito é considerado acirrado, e não está definido se os partidos que formam o governo permanecerão no poder. Ben-Gvir é um aliado fundamental do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, do Likud, embora seus posicionamentos tenham provocado condenações internacionais.
O ministro da Defesa, Israel Katz, também do Likud, afirmou que o governo israelense possui planos para deslocar os palestinos de Gaza, mas aguarda uma decisão dos Estados Unidos sobre o destino dessas pessoas.
O deslocamento forçado de civis de um território ocupado é considerado crime de guerra pela Convenção de Genebra. Para os palestinos, uma tentativa de expulsão remeteria à Nakba, palavra que significa catástrofe e designa o êxodo de 1948, depois da fundação do Estado de Israel.
Declarações e sanções
Ben-Gvir já havia defendido ações contra palestinos e provocado críticas de governos estrangeiros. Em 16 de agosto, afirmou que Israel deveria matar “de 30 a 40” pessoas todos os dias na Faixa de Gaza e construir assentamentos no território palestino. A declaração foi condenada inclusive pela Alemanha. Friedrich Merz, primeiro-ministro alemão, afirmou por meio de um porta-voz que declarações contrárias ao direito internacional e à dignidade humana não eram aceitáveis.
No começo da semana, Ben-Gvir publicou e depois apagou um vídeo produzido com inteligência artificial sobre prisioneiros palestinos no sistema prisional israelense, administrado por ele. As imagens mostravam presos recebendo uma condenação e imaginando que teriam comida, doces e fumo. Depois, o ministro aparecia retirando os benefícios, enquanto os homens eram conduzidos à prisão, engordavam e saíam magros, famintos e chorando.
Críticos compararam a prisão exibida no vídeo a um campo de concentração nazista. Ben-Gvir está sob sanções do Reino Unido, da Austrália, do Canadá, da França, da Irlanda e da Noruega. A França também proibiu sua entrada no país após a publicação de um vídeo sobre ativistas de uma flotilha humanitária que tentava romper o bloqueio a Gaza.
Em junho, durante os ataques entre Israel e o Hezbollah, milícia pró-Irã no Líbano, Ben-Gvir escreveu no X que, para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas deveriam chorar. Em novembro de 2023, após os ataques de 7 de outubro, afirmou que a eliminação do Hamas deveria incluir pessoas que cantassem, apoiassem ou distribuíssem doces em Gaza. Em 2019, defendeu a expulsão de cidadãos israelenses de origem árabe que não fossem suficientemente leais ao país.


