Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Entre a nostalgia e a repetição, o que falta a Da Magia à Sedução 2

A continuação recupera símbolos do filme de 1998, mas não reproduz a personalidade visual e emocional do original.

Entre a nostalgia e a repetição, o que falta a Da Magia à Sedução 2

Reassistir a Da Magia à Sedução depois de ver sua continuação evidencia uma diferença que vai além da nostalgia. O filme de 1998 tem cor, textura, atmosfera e uma identidade reconhecível em cada cena. Já Da Magia à Sedução 2, embora conte com recursos técnicos mais avançados e recupere personagens, objetos e situações familiares, transmite a impressão de repetir fórmulas sem reencontrar o encantamento do primeiro capítulo.

O original, dirigido por Griffin Dunne, constrói um universo que parece existir entre a realidade e o conto de fadas. A fotografia de Andrew Dunn participa da narrativa: os verdes, azuis, amarelos e tons quentes ajudam a definir a cidade e a casa da família Owens. A escuridão não apaga as cores; o preto permanece intenso, a luz do dia é quente e a noite adquire tonalidade azulada. A cozinha parece acolhedora, o jardim guarda uma dimensão mágica e a casa funciona quase como uma personagem.

Com arquitetura vitoriana, varanda, jardim de inverno, antiguidades e objetos criados especialmente para o cenário, a residência das Owens se tornou uma das locações fictícias mais lembradas do cinema. Sua importância não está apenas na aparência. O espaço expressa a memória, os conflitos e a ligação entre as mulheres da família.

Personagens antes da franquia

A força do primeiro filme também está na maneira como seus personagens são construídos. Sally e Gillian são irmãs muito diferentes, unidas por um afeto profundo. Sally busca uma vida comum porque teme o legado de sua família. Gillian prefere correr riscos, apaixonar-se, viajar, errar e escapar. Frances e Jet, as tias, não aparecem apenas para explicar a mitologia: têm desejos, temperamentos e presença própria.

Os relacionamentos amorosos também cumprem uma função dramática. Quando Sally conhece Gary, a relação combina atração, conflito, desejo e perigo. O espectador se envolve com a possibilidade de os dois ficarem juntos mesmo diante de uma ameaça que pode transformar o amor em risco literal.

Tudo isso se desenvolve em 1 hora e 44 minutos. O filme combina romance, comédia, fantasia, drama familiar e terror sobrenatural. Jimmy Angelov surge como um namorado abusivo, morre, retorna e passa a ameaçar a família como uma presença demoníaca. Sally enfrenta o luto; Gillian precisa lidar com as marcas de uma relação violenta; Gary tenta compreender o que testemunha. No centro, permanece o vínculo entre duas irmãs.

A continuação tem aproximadamente 130 minutos, quase meia hora a mais, mas produz a sensação de que menos acontecimentos realmente importam. Há personagens novos, regras diferentes, conflitos adicionais, novas gerações, referências ao longa anterior e possibilidades para outros capítulos. Joey King e Maisie Williams representam a nova geração dos Owens, enquanto o roteiro retoma o besouro, as margaritas da meia-noite, a música, a maldição e outros símbolos conhecidos.

Reconhecer esses elementos, porém, não garante envolvimento emocional. A nostalgia funciona quando ajuda a mostrar a passagem do tempo ou a transformação dos personagens. Quando ocupa o lugar do desenvolvimento dramático, converte a continuação em uma coleção de lembranças. Sally continua presa a temores semelhantes, Gillian desempenha papel próximo ao do filme anterior e a nova geração se vê diante de uma variação da mesma maldição.

Quando a homenagem vira repetição

A presença de Sandra Bullock e Nicole Kidman reforça essa impressão. As personagens parecem próximas demais daquelas apresentadas em 1998, como se quase três décadas não tivessem produzido mudanças significativas. A pergunta mais interessante seria onde essas mulheres estariam 28 anos depois. A sequência prefere indagar quais elementos do primeiro filme o público reconheceria com satisfação.

Esse mecanismo não pertence apenas à franquia. Produções contemporâneas frequentemente recuperam personagens, músicas, figurinos, frases e enquadramentos já conhecidos. O reconhecimento provoca uma reação imediata, mas nem sempre conduz a uma experiência nova. O passado retorna como referência constante, enquanto a história presente parece buscar a próxima lembrança capaz de ser acionada.

O filme original também se distingue por aceitar sua própria estranheza. Ele reúne bruxas, romance, assassinato, violência doméstica, ressurreição, possessão demoníaca, humor e uma cena em que mulheres da vizinhança se unem para realizar um ritual contra uma entidade. Essa mistura poderia parecer difícil de enquadrar em um grande lançamento, mas justamente dela nasce uma personalidade particular.

Em 1998, o longa custou cerca de US$ 75 milhões, estreou com US$ 13,1 milhões nos Estados Unidos e arrecadou aproximadamente US$ 94,4 milhões no mundo. A recepção inicial não o transformou imediatamente em um fenômeno, mas o filme continuou encontrando espectadores até conquistar o lugar de clássico cult que ocupa hoje.

Essa permanência está ligada às relações entre as personagens. A feitiçaria é parte da narrativa, mas não constitui seu único centro. O filme trata de perda, trauma, alegria e da maneira como uma família permanece unida diante de uma ameaça. Sua imperfeição, seus excessos e suas escolhas incomuns ajudam a explicar por que ele continua sendo lembrado.

A identidade que não se fabrica

Outros filmes populares também encontraram força em identidades visuais e tonais muito próprias. Titanic assumiu o romantismo e o melodrama. A Múmia combinou aventura, terror, romance e comédia. Edward Mãos de Tesoura fez dos cenários e das cores uma extensão dos personagens. Romeu + Julieta apostou em música, intensidade e excesso visual. As Patricinhas de Beverly Hills usou figurinos e direção de arte para revelar personalidades. Até Jurassic Park criou imagens destinadas a permanecer na memória.

Isso não significa que todos os filmes de décadas passadas fossem melhores. A diferença está na disposição de uma parcela do cinema comercial para construir uma identidade própria, em vez de buscar apenas uma aparência segura e facilmente reconhecível.

Da Magia à Sedução 2 possui Sandra Bullock, Nicole Kidman, a casa, as bruxas, a maldição, os novos personagens e efeitos digitais mais avançados. Ainda assim, reunir os componentes corretos não basta. A magia cinematográfica aparece quando fotografia, música, cenário, atuação, roteiro e direção produzem uma emoção específica em conjunto.

O primeiro filme era romântico, sombrio, engraçado, colorido, exagerado e imperfeito. Parecia acreditar no próprio universo. A continuação identifica muitos dos elementos que fizeram o público se aproximar do original, mas não alcança com a mesma força as razões emocionais dessa aproximação.

Depois de quase três décadas, rever o longa de 1998 continua sendo uma experiência de retorno a um lugar que parece vivo. A casa, a cozinha, o jardim e as margaritas da meia-noite sugerem um cotidiano em que o extraordinário pode surgir a qualquer momento. A sequência tem mais tecnologia e mais recursos, mas menos personalidade. A comparação deixa uma questão: ao transformar tantas histórias em franquias e conteúdos reconhecíveis, Hollywood pode ter se afastado justamente daquilo que fazia um filme parecer único.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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