Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ideias, cultura e reportagem
Brasil

Uso de aeronaves por Cleitinho é questionado por ex-deputado mineiro

Senador, que defende austeridade e diz viajar de carro entre Minas Gerais e Brasília, é acusado de usar aviões de aliados.

As viagens de Cleitinho Azevedo
Foto: Reprodução Agência Senado

O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG), candidato ao governo de Minas, é acusado por um ex-deputado federal mineiro de utilizar aeronaves de aliados para viajar entre Minas Gerais e Brasília. A acusação contrasta com a imagem de austeridade defendida pelo parlamentar, que afirma fazer o trajeto de carro.

Segundo o relato, Cleitinho teria usado, desde o início do mandato, aeronaves do deputado Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos e um de seus principais aliados políticos. Entre 2025 e 2026, o senador também teria viajado em um Cessna 210L, de prefixo PR-SBS, pertencente ao empresário e fazendeiro Roberto Altino, de Governador Valadares.

O avião teria sido cedido para deslocamentos semanais entre Divinópolis e Brasília. A aeronave partiria de uma pista em uma fazenda e pousaria no aeródromo de São Sebastião, no Distrito Federal. Altino seria amigo pessoal de Euclydes.

A relação política entre Pettersen e Cleitinho é antiga. O deputado ajudou a levar o senador para o PSC, partido pelo qual ele foi eleito em 2022, e atualmente participa da articulação de sua candidatura ao governo de Minas pelo Republicanos.

Discursos sobre austeridade

Em agosto de 2023, durante uma sessão do Congresso, Cleitinho afirmou que faria de carro a viagem de Brasília a Minas Gerais, com duração de quase 10 horas. Em julho de 2024, disse também que andava a pé em Brasília e em Divinópolis. Em outros discursos, criticou gastos que considerava luxuosos ou excessivos no poder público, como carros oficiais, salas VIP e despesas com viagens.

A suspeita sobre o uso de jatos particulares pode levar o senador ao foco das investigações da Operação Sem Desconto. Euclydes é investigado pela Polícia Federal no caso da Farra do INSS. A PF o indiciou por organização criminosa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato-desvio, sob suspeita de recebimento de R$ 14,7 milhões em propinas relacionadas à Conafer.

A investigação também aponta sua atuação como articulador político da entidade e movimentações envolvendo empresas, emendas parlamentares e aeronaves. O caso envolve valores que acumularam mais de R$ 6 bilhões em benefícios da Previdência Social.

Um jatinho ligado a Euclydes foi colocado em leilão por R$ 8 milhões. Há suspeita de que a aeronave tenha sido adquirida com dinheiro relacionado ao rombo do INSS. Não há confirmação de que Cleitinho tenha usado esse avião no trajeto mencionado. O senador, porém, teria utilizado outras vezes uma segunda aeronave avaliada em US$ 22 milhões.

A acusação sobre o uso das aeronaves não foi comprovada publicamente por registros de voo. Cleitinho foi procurado para explicar o meio de transporte utilizado nas viagens ao Congresso, mas não respondeu até a publicação. O espaço permanece aberto.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.