DIVINÓPOLIS — Cleitinho Azevedo só tirou o título de eleitor quando decidiu disputar sua primeira eleição. Em 2016, aos 34 anos, cadastrou-se na Justiça Eleitoral para concorrer a vereador em Divinópolis. Até então, nunca havia votado. Por isso, ao recordar em quem depositou seu primeiro voto, resume: “Em mim”.
A entrada na política não fazia parte dos planos, segundo Cleitinho. Ele trabalhava no sacolão da família e começava a se tornar conhecido por vídeos publicados no Facebook. Seu irmão gêmeo, Gleidson Azevedo, avaliava concorrer à Câmara Municipal, mas passou a ser confundido com Cleitinho nas ruas. As pessoas, então, pediam que o irmão fosse candidato.
“Eu nunca fui fã de político, não. Pelo contrário”, afirma Cleitinho. A decisão veio depois de assistir ao Programa do Ratinho. Ele conta que ouviu o apresentador dizer que quem não se sentia representado pelos políticos deveria disputar uma eleição. Pouco depois, comunicou a escolha aos seguidores em um vídeo.
A campanha pelo contato direto
A estratégia eleitoral aproveitou a rede formada no varejão, entre clientes, conhecidos e pessoas abordadas nas ruas. Cleitinho pedia o número de WhatsApp de quem ainda não tivesse candidato e anotava os contatos. Ao fim da campanha, havia reunido 3.000 pessoas.
O trabalho avançou pela madrugada. Ele diz que começou por volta das 19h de sábado e terminou perto das 9h de domingo, quando os eleitores já se dirigiam às urnas. Mais tarde, ao observar as respostas recebidas, concluiu que poderia ser eleito e avisou a esposa: “Eu tô eleito, eu ganhei a eleição”.
O resultado confirmou a previsão. Cleitinho recebeu 3.023 votos e conquistou uma cadeira na Câmara de Divinópolis. Dez anos depois, após passar pela Assembleia Legislativa e pelo Senado, disputa o governo de Minas. Sua estreia eleitoral permanece marcada pelo fato de que, antes de pedir votos, ele precisou se tornar eleitor.


