A empresa comandada pelo perito Anísio Costa Castelo Branco mantém um contrato de R$ 728,5 mil com o Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar (IPSSC), que aplicou R$ 87 milhões em títulos emitidos pelo Banco Master. Castelo Branco também foi contratado para examinar as contas de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro (PL) financiado com recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O contrato com o IPSSC foi firmado em janeiro de 2026 por inexigibilidade de licitação. Do valor total, R$ 692,7 mil correspondem ao serviço de perícia investigativa defensiva sobre os investimentos feitos no banco. A atividade é realizada pelo IPI – Instituto de Perícia Investigativa, dirigido por Anísio.
O perito informou que a equipe avalia demonstrações contábeis do Banco Master, acompanha procedimentos administrativos no Banco Central e analisa documentos produzidos pela KPMG e pela Fitch Ratings. O trabalho também envolve a atuação do Banco Central, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Ministério da Previdência.
Segundo Anísio, o IPI presta assistência técnica aos advogados do instituto em ações e procedimentos relacionados às aplicações. A perícia pode produzir laudos, pareceres e notas técnicas destinados a subsidiar medidas para recuperar os recursos, pedidos de indenização e eventual responsabilização de agentes. Ele afirmou que o trabalho continua em andamento e ainda não definiu responsabilidades.
As aplicações de Cajamar
O IPSSC investiu R$ 87 milhões em Letras Financeiras do Banco Master entre 2023 e 2024, conforme informações do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo. Foram três aportes: R$ 35 milhões em outubro de 2023, R$ 25 milhões em dezembro daquele ano e R$ 27 milhões em março de 2024.
O valor correspondia a mais de 15% da carteira do regime próprio de previdência do município. O MPC-SP levou o caso ao Tribunal de Contas do Estado, questionando as aplicações e a exposição dos recursos previdenciários ao banco.
Em outro levantamento, o órgão identificou R$ 238,15 milhões investidos por fundos previdenciários municipais paulistas em ativos relacionados ao Master. Cajamar tinha R$ 87 milhões, enquanto São Roque aparecia com R$ 93,15 milhões.
Uma ação popular questiona as três operações do IPSSC. O processo inclui o instituto, o Banco Master, Daniel Vorcaro, ex-dirigentes da previdência municipal, uma consultoria e Danilo Joan, que era prefeito de Cajamar. Em abril, a Justiça determinou uma perícia contábil e atuarial para examinar as operações, incluindo a situação financeira do banco no período dos aportes, as análises de risco, os responsáveis pelas decisões e possíveis efeitos sobre o patrimônio previdenciário.
A perícia sobre o filme
A atuação de Anísio no caso de Cajamar começou antes de sua contratação para analisar Dark Horse. Em 7 de maio, o IPSSC indicou o perito como assistente técnico na ação judicial sobre os R$ 87 milhões investidos no Banco Master. Em 11 de junho, ele assinou a perícia investigativa defensiva sobre as contas do filme, produzido pela Go Up Entertainment.
O financiamento da produção passou a integrar investigações relacionadas a Daniel Vorcaro. O projeto também é alvo de apuração sobre o percurso do dinheiro utilizado e sua relação com estruturas ligadas ao banqueiro.
O escritório HSLaw, de Ricardo Hasson Sayeg, responsável pela contratação para a análise de Dark Horse, sabia, segundo Anísio, que ele já trabalhava no caso do Banco Master em Cajamar. O perito afirmou ainda que as duas contratações foram submetidas ao setor de compliance do IPI e que a avaliação interna não identificou conflito de interesses.


