Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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PF aponta atuação direta de Flávio Bolsonaro em recursos para filme sobre o pai

Documentos indicam que Eduardo Bolsonaro administrava valores destinados à produção de “Dark Horse”, investigada pela Polícia Federal.

Flávio Bolsonaro negociava recursos para 'Dark Horse' com Vorcaro, e Eduardo era gestor do dinheiro, diz PF
Foto: Reuters

Documentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República indicam que o senador Flávio Bolsonaro atuou diretamente nas negociações para obter investimentos para o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de seu pai, Jair Bolsonaro. O material também aponta que Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, participava da gestão dos recursos destinados à produção.

Os documentos tiveram o sigilo retirado pelo Supremo Tribunal Federal. Na noite desta quinta-feira (10), o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou a publicidade do material relacionado ao Banco Master. A decisão foi cumprida pelo relator do caso, ministro André Mendonça. O fim da confidencialidade também havia sido defendido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após a divulgação de parte dos documentos, Flávio Bolsonaro pediu transparência sobre as informações relativas ao filme. “Porque vão só confirmar o que eu sempre falei, que não tem nada de errado em relação ao filme”, declarou o senador em entrevista.

Negociações com Daniel Vorcaro

A investigação afirma que Flávio trocou mensagens com Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao ex-banqueiro, além de ter se reunido pessoalmente com ele. O senador também teria feito cobranças reiteradas para que Vorcaro realizasse aportes no longa-metragem.

Relatório da Polícia Federal descreve Flávio Bolsonaro como interlocutor direto de Vorcaro nas tratativas sobre o financiamento, com participação em cobranças de pagamentos, reuniões e acompanhamento das gravações. A investigação aponta que o senador negociou o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção, valor equivalente, à época indicada nos documentos, a aproximadamente R$ 122,7 milhões. Desse total, pelo menos US$ 12,3 milhões teriam sido efetivamente pagos, cerca de R$ 62,9 milhões.

A Polícia Federal também identificou mensagens que, segundo o relatório, mostram Eduardo Bolsonaro dando orientações sobre como os recursos poderiam ser administrados nos Estados Unidos. A gestão seria realizada por meio do fundo Havengate, ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo.

Criado em 2020, o fundo permaneceu sem movimentar recursos até fevereiro de 2025. Naquele mês, recebeu US$ 2 milhões da Entre, empresa utilizada por Vorcaro para realizar pagamentos relacionados ao filme.

Investigação sobre recursos

Para a Polícia Federal, os elementos reunidos justificam a continuidade da investigação sobre a origem, o percurso, a destinação e os beneficiários finais dos valores movimentados. A Procuradoria-Geral da República acompanha essa avaliação e solicitou também um levantamento de propostas legislativas apresentadas por Flávio Bolsonaro e pelo deputado Mário Frias que possam ter favorecido Vorcaro ou o Banco Master.

Na quinta-feira, uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino investigou suspeitas de desvio de R$ 750 mil da produção e de uso de verba pública. Entre os alvos estava Mário Frias, que, conforme o relatório, destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil. A organização é presidida por Karina Gama, também proprietária da Go Up Entertainment, produtora do filme.

Flávio Bolsonaro classificou a operação como “fajuta” e afirmou: “Faltam 24 dias para a eleição, eles precisam inventar alguma coisa contra mim”.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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