CURITIBA — A proporção de pessoas obesas na capital paranaense quase dobrou em 17 anos, segundo dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde. O percentual passou de 12,7% em 2006 para 24,5% em 2023, último ano com dados locais disponíveis.
Com base nas estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas obesas em Curitiba cresceu 97,3% no período: de 227 mil para 448 mil. O resultado significa que um em cada quatro curitibanos é considerado obeso.
A obesidade é definida por índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 30. O cálculo é feito dividindo o peso, em quilogramas, pelo quadrado da altura, em metros. Uma pessoa com 100 kg e 1,75 de altura, por exemplo, apresenta IMC de 32.
Entre as 27 capitais brasileiras, Curitiba ocupa a 14ª posição na proporção de pessoas obesas. Macapá lidera, com 30,4%, seguida por Porto Alegre, com 28,3%, e Fortaleza, com 27,7%. Os menores percentuais aparecem em Goiânia, com 17,7%, São Luís, com 18,5%, e Palmas, com 19%.
A parcela de mulheres curitibanas com IMC igual ou superior a 30 é de 26,7%. Entre os homens, o percentual é de 21,9%.
Excesso de peso atinge seis em cada dez moradores
Também aumentou a proporção de curitibanos com excesso de peso, que passou de 43,7% em 2006 para 60,3% em 2023 — crescimento de quase 17 pontos percentuais. A condição é mais frequente entre os homens, com 64,7%, do que entre as mulheres, com 56,4%.
Nesse indicador, Curitiba aparece em 15º lugar entre as 27 capitais. Rio de Janeiro registra a maior proporção, com 65,2%, seguido por Manaus, com 63,5%, e Belém, com 63,4%. Teresina, com 50%, Palmas, com 50,4%, e São Luís, com 51,9%, apresentam os menores percentuais.
A data de 10 de setembro, conhecida como Dia do Gordo, é mencionada principalmente nas redes sociais e não tem origem precisamente identificada. A ocasião também é associada à defesa do respeito às pessoas que estão acima do peso ou que possuem uma estrutura corporal maior, sem presumir que essa característica represente necessariamente uma enfermidade.
A Organização Mundial da Saúde afirma que a obesidade pode elevar o risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer, além de afetar a saúde óssea e a fertilidade. As causas podem envolver genética, comportamento, ambiente e metabolismo. A data também propõe a desconstrução de preconceitos, a revisão de padrões de beleza estereotipados e uma reavaliação da conduta diante da homofobia, que afeta especialmente as mulheres.


