Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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PGR autoriza investigação sobre recursos dos EUA para filme sobre Jair Bolsonaro

Documento baseado em apuração da PF aponta atuação de Eduardo Bolsonaro na remessa de valores e cita participação de Flávio Bolsonaro.

Em mensagem, Eduardo Bolsonaro cita que dinheiro para 'Dark Horse' vindo do Brasil seria 'problemático': 'Ideal seria haver recursos já nos EUA'
Foto: Jornal Nacional/Reprodução

A Procuradoria-Geral da República autorizou a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal para investigar o financiamento transnacional de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. O parecer, assinado em julho de 2026 pelo procurador-geral Paulo Gonet, foi elaborado com base em investigações da Polícia Federal.

A apuração aponta que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro teria orientado a gestão e o envio de recursos aos Estados Unidos para custear a produção. Investigadores obtiveram uma captura de tela de uma conversa atribuída a ele, embora o documento da PGR não identifique o destinatário direto da mensagem.

“Que dos EUA para os EUA é tranquilo”, diz o trecho, ao defender que os recursos já estivessem no país. Na mesma mensagem, Eduardo afirma que o envio por uma empresa brasileira poderia exigir remessas parceladas e levar cerca de 6 meses.

Altieris Santana, mencionado no diálogo, é identificado como diretor do Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas responsável por administrar os valores e repassá-los à produtora Go Up Entertainment. A mensagem também registra que Santana estaria disponível para participar de reuniões.

Valores e empresas sob investigação

A Polícia Federal investiga a utilização de empresas para viabilizar repasses destinados ao filme. Em dezembro de 2024, o publicitário Thiago Miranda enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta de acordo para financiar a produção, então intitulada “Capitão do Povo”. O documento previa investimento total de US$ 24 milhões, dividido em 14 parcelas.

Em depoimentos, Miranda mencionou pagamentos ao fundo responsável pelo financiamento, o uso de uma empresa nas Bahamas para transferências determinadas por Vorcaro e a compra de malas destinadas exclusivamente ao transporte de dinheiro vivo.

Na representação enviada ao STF, a PF afirmou que os valores previstos eram desproporcionais aos referenciais do mercado audiovisual nacional. Para os investigadores, essa diferença exige esclarecer a viabilidade econômica do projeto e a finalidade efetiva da operação.

Participação de Flávio Bolsonaro

O parecer da PGR também cita tratativas do senador Flávio Bolsonaro com Vorcaro sobre cobranças de repasses, reuniões e o acompanhamento das gravações. Em setembro de 2025, Miranda informou ao banqueiro que Flávio desejava encontrá-lo para mostrar trechos do filme. No dia seguinte, registros indicaram uma ligação entre os dois durante a realização de uma remessa da Entre Investimentos para o fundo nos EUA.

A investigação busca esclarecer a origem dos recursos, a razão do uso da Entre Investimentos, a função da Havengate Development Fund, os beneficiários finais dos valores enviados ao exterior e o papel de Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e outros envolvidos na estruturação e destinação dos aportes.

Em maio, Flávio negou que os recursos tivessem sido destinados a Eduardo Bolsonaro e afirmou que o dinheiro foi aplicado integralmente na produção. “Não foi para o Eduardo Bolsonaro”, declarou o senador. A defesa de Flávio não havia enviado resposta até a última atualização, enquanto Eduardo era procurado para comentar o caso.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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