BRASÍLIA — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que há fortes indícios de que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) atua como agente central de uma suposta organização criminosa investigada por captar, distribuir e ocultar recursos públicos. A avaliação está em uma decisão que autorizou novas diligências sobre suspeitas de desvios em verbas provenientes de emendas parlamentares.
A análise considera informações reunidas pela Polícia Federal, entre elas movimentações financeiras atribuídas ao parlamentar e consideradas incompatíveis com sua capacidade econômica conhecida. Para Dino, os dados indicam que Frias teria participação além da destinação de emendas posteriormente associadas a supostos desvios.
“Essa circunstância faz com que ele transcenda a condição de mero autor de emendas parlamentares posteriormente desviadas por terceiros”, registra a decisão. O documento também afirma que o parlamentar teria enviado valores à Go Up Entertainment, empresa vinculada a Karina Ferreira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil (ICB).
Segundo a decisão, o montante remetido seria materialmente incompatível com os rendimentos declarados por Frias e com os créditos identificados nas contas bancárias analisadas. O cruzamento dessas informações com outros elementos levou Dino a sustentar a hipótese de uma estrutura única. “Há fortes indícios de uma única organização criminosa”, afirma o ministro.
A apuração menciona uma possível confusão patrimonial entre o ICB, empresas contratadas e pessoas físicas relacionadas ao núcleo investigado. Entre os pontos analisados estão vínculos societários cruzados, companhias com faturamento declarado incompatível com os valores movimentados e devoluções sucessivas de recursos sem causa econômica aparente.
O caso envolve duas emendas de autoria de Mário Frias, por meio das quais o ICB recebeu R$ 2 milhões em recursos federais. A investigação examina suspeitas de contratações simuladas, pagamentos sem comprovação suficiente dos serviços e fornecedores com vínculos pessoais, políticos ou comerciais com integrantes do grupo investigado.
Ao autorizar o avanço das diligências, Dino considerou fartamente demonstradas as razões apresentadas pela Polícia Federal e afirmou que as buscas podem revelar novos elementos sobre os fatos.



