A cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, estrelada por Jim Caviezel, continua sem data oficial para chegar aos cinemas brasileiros. A Europa Filmes, responsável pela distribuição, afirma que não cancelou nem suspendeu uma estreia já marcada: segundo o diretor-geral da empresa, Wilson Feitosa, essa data nunca foi definida.
A distribuidora pretende aguardar o avanço das investigações sobre o financiamento da produção antes de estabelecer quando Dark Horse será lançado. A intenção, porém, permanece sendo levar o longa primeiro às salas de cinema, e não diretamente a uma plataforma de streaming ou à televisão.
De previsão a indefinição
O filme vinha sendo associado a um possível lançamento em setembro de 2026. Jim Caviezel chegou a declarar que a estreia ocorreria nesse período, enquanto previsões anteriores também mencionavam setembro. A Europa Filmes, contudo, já havia sinalizado que considerava inadequado lançar uma cinebiografia sobre Bolsonaro durante a campanha eleitoral brasileira.
Feitosa afirmou posteriormente que o longa seria exibido somente depois das eleições, mas sem uma data definida. Na avaliação do executivo, uma estreia durante a campanha poderia provocar acusações de propaganda política e problemas de judicialização.
A operação da Polícia Federal que passou a apurar o financiamento da produção acrescentou incerteza ao calendário. Entre os alvos estavam o deputado federal Mário Frias, participante do projeto, e a empresária Karina Gama, ligada à Go Up Entertainment, produtora de Dark Horse.
Uma das linhas de investigação examina se recursos de emendas parlamentares destinados a entidades relacionadas a Gama teriam sido desviados ou utilizados de forma irregular, além da possibilidade de parte desse dinheiro ter chegado à estrutura vinculada ao filme. As autoridades também apuram suspeitas de lavagem de dinheiro, peculato, falsidade documental e organização criminosa. Os fatos ainda estão sob investigação, e os citados têm direito de apresentar suas versões e defesas.
Distribuidora contesta cancelamento
Depois da repercussão da operação, circularam informações de que a Europa Filmes teria suspendido o lançamento. Feitosa rejeitou essa interpretação: “Eu não suspendi, porque também não marquei data de lançamento. Então, não poderia ter suspendido.”
O executivo disse considerar mais prudente esperar o desenrolar das investigações antes de definir a estreia. Em outra declaração, afirmou que o lançamento precisaria ocorrer sem possíveis impedimentos e que não seria responsável realizar a exibição diante dos acontecimentos relacionados ao caso.
Também circulou nas redes sociais um suposto cartaz que anunciava uma pré-estreia para 30 de setembro. A peça foi compartilhada por apoiadores de Bolsonaro, entre eles o deputado Gustavo Gayer, mas a distribuidora negou sua autenticidade. Segundo Feitosa, o material não foi produzido pela Europa Filmes, e não poderia haver venda antecipada oficial de ingressos porque não existe lançamento marcado.
Projeções financeiras
Documentos encontrados pela Polícia Federal indicam que o plano de negócios do filme previa uma arrecadação de até R$ 510 milhões nas bilheterias. O orçamento estimado estaria na casa dos US$ 24 milhões. As movimentações financeiras relacionadas ao financiamento da produção também passaram a ser analisadas pelas autoridades.
A posição atual da distribuidora é que Dark Horse deverá chegar aos cinemas depois das eleições, mas ainda não há data definida. A empresa afirma que pretende aguardar o desenvolvimento das investigações antes de estabelecer o calendário de lançamento.


