Projeção de bilheteria
Um documento localizado pela Polícia Federal no celular do banqueiro Daniel Vorcaro previa que Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro, poderia arrecadar R$ 510 milhões nos cinemas brasileiros. O valor aparece como o cenário mais otimista do planejamento comercial do filme.
A estimativa foi comparada pela corporação com a bilheteria atribuída a Homem-Aranha: Um Novo Dia, calculada em aproximadamente R$ 379 milhões. A diferença entre os dois valores é de R$ 131 milhões. No plano, até a previsão intermediária colocava a produção em uma faixa próxima à de grandes lançamentos comerciais no país.
As informações constam do documento intitulado Plano de Negócio Capitão do Povo. A Polícia Federal analisou os números registrados no material e os confrontou com referências do mercado cinematográfico brasileiro. Não há, contudo, data oficial para a chegada de Dark Horse aos cinemas do Brasil.
Registro e distribuição
O filme teve o pedido de Registro de Obra Estrangeira, conhecido como ROE, aceito pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). A aprovação representa uma etapa inicial do processo necessário para a exibição comercial de uma produção internacional no país, mas não autoriza, por si só, o lançamento definitivo.
A Europa Filmes, responsável pela distribuição nacional, ainda deverá solicitar o Certificado de Registro de Título, o CRT. O documento informa como a obra poderá ser explorada comercialmente, incluindo segmentos e plataformas de disponibilização. A autorização para o lançamento comercial depende da emissão desse certificado.
A produção já foi associada a uma estreia ampla, com previsão de aproximadamente 650 salas. O calendário, entretanto, permanece condicionado à conclusão dos procedimentos regulatórios. Produzido por uma empresa sediada nos Estados Unidos, o longa é falado em inglês e tem Jim Caviezel no papel principal. Camille Guaty interpreta Michelle Bolsonaro.
Lançamento após as eleições
Wilson Feitosa, diretor-geral da Europa Filmes, afirmou que o filme não será lançado durante a campanha eleitoral. A estreia ocorrerá depois das eleições presidenciais de outubro, sem uma data definida até o momento.
“Com certeza não será antes de novembro, mas o lançamento continua previsto para este ano”, declarou Feitosa. De acordo com o executivo, colocar a obra em cartaz durante a campanha seria um erro estratégico, porque o filme poderia ser usado como instrumento de disputa política.
A expectativa da distribuidora é manter o lançamento em 2026, independentemente do resultado eleitoral. A decisão também afasta a estreia do período de competição entre os candidatos.
Enredo e produção
Dark Horse apresenta acontecimentos relacionados à vida e à trajetória política de Jair Bolsonaro. A história o retrata como uma figura em confronto com o sistema político brasileiro durante a eleição presidencial de 2018.
O trailer destaca o atentado sofrido pelo então candidato em 6 de setembro de 2018, em Juiz de Fora (MG), além da recuperação e da campanha presidencial. Antes de ser assumido pela Europa Filmes, o projeto havia sido recusado pela Paris Filmes, responsável pelo lançamento de Nada a Perder, produção sobre o bispo Edir Macedo no Brasil.
Mesmo com o registro aceito pela Ancine, o longa ainda depende de procedimentos comerciais e regulatórios para confirmar sua exibição no mercado brasileiro. As projeções de arrecadação permanecem, portanto, vinculadas ao plano de negócios localizado pela Polícia Federal, e não a resultados efetivamente obtidos nos cinemas.


