Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ideias, cultura e reportagem
Mundo

Registro sob a plataforma Filchner-Ronne amplia dúvidas sobre vida no gelo antártico

Imagens de menos de um minuto mostram organismos semelhantes a esponjas em uma rocha sob gelo e água, distante do oceano aberto.

Registro sob a plataforma Filchner-Ronne amplia dúvidas sobre vida no gelo antártico

Uma rocha interrompeu a coleta de sedimentos em uma expedição sob a plataforma de gelo Filchner-Ronne, na Antártida, mas acabou revelando uma comunidade de animais fixos em um ambiente onde os pesquisadores esperavam encontrar pouquíssima vida.

O equipamento havia descido cerca de 900 metros de gelo e alcançado o fundo do mar. Quando o bloco impediu o avanço da operação, a câmera registrou sua superfície por menos de um minuto. As imagens mostraram animais semelhantes a esponjas, presos à rocha, além de outros organismos que não puderam ser classificados.

Um ambiente sem luz e distante do oceano

A formação estava sob aproximadamente 900 metros de gelo e 500 metros de água, em uma área sem incidência de luz solar. Também se encontrava a cerca de 260 quilômetros do oceano aberto.

A distância e as condições do local tornam o registro relevante para a investigação sobre a sobrevivência de organismos fixos. Esses animais normalmente dependem de partículas e nutrientes transportados pela água. Por isso, a expectativa era de que houvesse pouca vida em uma região tão afastada das áreas produtivas do oceano.

Os pesquisadores identificaram pelo menos duas formas de esponjas nas imagens, incluindo uma estrutura alongada. Como não foi possível obter amostras, ainda não há identificação definitiva dos organismos observados.

Correntes e alimento sob a plataforma

A presença dos animais levanta a possibilidade de que correntes marinhas transportem alimento por distâncias maiores do que se imaginava. Também permanece em aberto se esse fluxo é suficiente para sustentar a comunidade ou se os organismos possuem mecanismos de sobrevivência ainda desconhecidos.

O registro é considerado a primeira evidência de uma comunidade de animais fixos vivendo sobre uma rocha profundamente escondida sob uma plataforma de gelo antártica. A descoberta questiona a ideia de que áreas tão distantes das regiões produtivas seriam praticamente desprovidas de vida, embora as imagens, sozinhas, não permitam explicar como esses organismos sobrevivem.

A curta observação deixou perguntas sobre a composição daquela comunidade e sobre a possibilidade de existirem outras formas de vida semelhantes sob o gelo.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.