A deterioração financeira da Sears Holdings se acelerou nos meses anteriores ao pedido de recuperação judicial. Nove meses antes de recorrer ao Chapter 11, a companhia tinha reduzido seus ativos de cerca de R$ 35,7 bilhões para aproximadamente R$ 25,5 bilhões. No mesmo intervalo, os passivos avançaram de R$ 51,3 bilhões para cerca de R$ 45,6 bilhões.
A empresa, que reunia as bandeiras Sears e Kmart, formalizou o pedido em outubro de 2018. Naquele momento, ainda mantinha 687 lojas distribuídas por 49 estados americanos, além de unidades em Guam, Porto Rico e nas Ilhas Virgens Americanas. A rede empregava cerca de 68 mil trabalhadores: aproximadamente 32 mil em tempo integral e 36 mil em tempo parcial.
Uma estrutura de dívida em camadas
No ano fiscal de 2017, a Sears Holdings havia registrado receita de aproximadamente R$ 63,5 bilhões. Seus ativos somavam cerca de R$ 35,7 bilhões, enquanto os passivos chegavam a R$ 51,3 bilhões.
Na data do pedido, a dívida total financiada era de aproximadamente R$ 19,4 bilhões. Desse montante, cerca de R$ 6,3 bilhões correspondiam a obrigações de primeiro grau e aproximadamente R$ 4,4 bilhões, a dívidas de segundo grau. A empresa ainda carregava cerca de R$ 4 bilhões em outros empréstimos garantidos e aproximadamente R$ 3,5 bilhões em dívida não garantida.
A distribuição entre diferentes categorias de credores tornou mais complexa a tentativa de reorganização da companhia. Cada grupo tinha prioridades distintas sobre os ativos remanescentes, em um momento de rápida redução do patrimônio e aumento dos passivos.
Controle acionário e venda de ativos
A ESL Investments controlava a Sears Holdings antes da recuperação judicial e também era uma credora relevante da empresa. Durante o processo de venda de ativos, a gestora apresentou uma oferta baseada em crédito.
A participação simultânea como controladora e credora colocou a ESL Investments em uma posição central na reestruturação. O movimento gerou controvérsia por envolver o mesmo grupo que já exercia o controle acionário antes da entrada da companhia no Chapter 11.
O declínio de uma rede centenária
A Sears ocupou durante décadas uma posição de destaque entre as maiores varejistas dos Estados Unidos. A entrada da Sears Holdings em recuperação judicial marcou o declínio de uma empresa que havia alcançado dimensão muito maior no varejo, mas passou a operar com uma fração desse tamanho após anos de queda nas vendas e acúmulo de passivos.
A recuperação judicial ocorreu, portanto, enquanto a rede ainda mantinha centenas de lojas e dezenas de milhares de empregos. O caso também expressou a perda de relevância de uma antiga potência comercial diante de mudanças no comportamento de consumo e da concorrência no setor.
Mais detalhes sobre a recuperação judicial da Sears Holdings estão disponíveis no site oficial da SEC.


