Modelos geológicos indicam que a ruptura do supercontinente Rodínia pode ter criado, na América do Norte, um escarpamento com cerca de um quilômetro de altura. A estrutura teria exposto camadas profundas de rocha e contribuído para formar o que hoje corresponde ao coração do Grand Canyon, muito antes de o rio Colorado começar a esculpir o cânion.
A hipótese relaciona esse processo à Grande Inconformidade, nome dado à ausência de vastos intervalos do registro rochoso observados nas paredes do Grand Canyon. A lacuna representa um período geológico expressivo que não aparece de forma contínua entre as camadas preservadas.
Erosão da antiga borda
A ruptura da Rodínia teria separado massas continentais e exposto rochas que antes estavam soterradas. Na escala desse processo, a fragmentação teria produzido uma parede rochosa extensa em parte da América do Norte.
Com o passar de milhões de anos, a erosão progressiva da borda do escarpamento pode ter removido camadas inteiras de material. Esse desgaste ajudaria a explicar por que determinados intervalos do registro geológico não estão presentes nas paredes do Grand Canyon.
O escarpamento teria se formado há aproximadamente 800 milhões de anos, muito antes da fase em que o rio Colorado começou a esculpir o formato atual do cânion. Assim, a lacuna rochosa já existiria, ao menos parcialmente, antes da erosão fluvial associada à paisagem conhecida hoje.
Ao relacionar a Grande Inconformidade a um evento específico — a ruptura da Rodínia e o desgaste do escarpamento resultante —, o modelo propõe uma explicação para a ausência de camadas que vai além da ação mais recente do rio Colorado. As paredes do Grand Canyon, nessa interpretação, preservam sinais de processos continentais anteriores à formação do cânion em seu formato atual.


