A crosta terrestre está se tornando mais fina em partes da África Oriental, onde as placas Núbia e Somali se afastam gradualmente. O processo ocorre no Sistema de Rift da África Oriental e pode, ao longo de milhões de anos, levar à formação de uma nova bacia oceânica — e, posteriormente, de um oceano.
A transformação não representa o surgimento iminente de uma grande massa de água. Para que isso aconteça, a crosta continental ainda precisaria continuar se rompendo até dar lugar a uma nova crosta oceânica. Só então a água poderia ocupar a depressão aberta pela separação dos blocos tectônicos.
Sinais de uma ruptura em andamento
O Sistema de Rift da África Oriental é uma extensa área em que a crosta está sendo esticada. A movimentação provoca falhas, terremotos e atividade vulcânica, enquanto as forças internas do planeta puxam a estrutura em sentidos opostos. Com o tempo, esse movimento gera fraturas, reduz a espessura da crosta e altera sua configuração subterrânea.
Em Turkana, no Quênia, estudos sísmicos identificaram pontos onde a crosta continental tem aproximadamente 13 quilômetros de espessura. A medida indica um estágio avançado de deformação tectônica e permitiu observar com mais precisão a transformação em curso.
Caso a separação prossiga durante milhões de anos, uma parcela da África Oriental poderá se desprender do restante do continente. O resultado seria a criação de uma nova bacia oceânica, em um processo semelhante ao observado em áreas que passaram por rupturas continentais.
As características já encontradas em partes do sistema estão associadas a estágios avançados desse tipo de ruptura. Ainda assim, qualquer mudança significativa no mapa da África pertence a uma escala de tempo geológica, muito distante da experiência humana.


