A Friedman’s Jewelers terminou os anos 2000 com uma rede muito menor do que a que havia construído em pouco mais de uma década. Depois de alcançar mais de 700 lojas, a empresa entrou duas vezes no Chapter 11 e acabou conduzindo sua operação para a liquidação.
A companhia nasceu na década de 1920, em Savannah, na Geórgia, como uma pequena varejista familiar de joias. Em 1990, mantinha cerca de 48 lojas. A entrada de investidores e a abertura de capital, em 1993, aceleraram a expansão, que levou a rede a superar 700 unidades em aproximadamente dez anos.
A Friedman’s atendia principalmente consumidores de renda baixa e média. Seus produtos incluíam diamantes, ouro e joias para casamento, vendidos em lojas de shoppings e centros comerciais.
A primeira reorganização
O crescimento foi seguido por problemas financeiros, perda de confiança dos fornecedores e necessidade de reestruturar a empresa. Em janeiro de 2005, a Friedman’s entrou no Chapter 11 para tentar recuperar estoques, crédito e eficiência operacional.
Naquele momento, a rede ainda reunia mais de 650 lojas em 22 estados e aproximadamente 4.500 empregados. Em março de 2005, o tribunal autorizou o fechamento de 164 unidades. A reorganização também envolveu renegociação de contratos e redução da estrutura, com a concentração de recursos nas lojas consideradas mais sustentáveis.
Uma apresentação arquivada na SEC registra a passagem de cerca de 48 lojas em 1990 para mais de 700 e confirma a dimensão da operação no início de 2005.
O retorno ao Chapter 11
A primeira reorganização não eliminou a fragilidade do negócio. No início de 2008, a companhia voltou à proteção judicial depois de registrar receitas abaixo das expectativas, queda nas vendas das lojas e uma estrutura de custos grande demais para o faturamento.
A operação principal havia recuado para 388 lojas e mais de 2.890 empregados. A subsidiária Crescent Jewelers acrescentava outras 85 lojas e também entrou no processo judicial.
A segunda tentativa de reorganização rapidamente se transformou em venda de ativos e encerramento de unidades. Em abril de 2008, a Whitehall Jewelers comprou ativos relacionados a 78 lojas. Centenas de outros pontos seguiram para liquidação, enquanto as unidades remanescentes foram fechadas ou transferidas ao longo daquele ano.
A trajetória combinou expansão agressiva, dependência de crédito, custos elevados e dificuldade para ajustar a operação quando as vendas perderam força. Do auge de mais de 700 lojas, a rede chegou a 388 unidades na segunda falência, enquanto o número de trabalhadores caiu de cerca de 4.500 para pouco mais de 2.890 na operação principal.


