Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Microcasas dão novo destino a pás de turbinas eólicas descartadas

Estruturas habitáveis reaproveitam um compósito difícil de reciclar, cujo descarte costuma terminar em aterros sanitários.

Uma empresa neerlandesa transformou pás de turbinas eólicas descartadas em estruturas habitáveis chamadas Nacelle Micro Home. A iniciativa enfrenta um dos problemas da expansão da energia eólica: o destino de componentes que se desgastam antes de outras partes das turbinas e cuja composição dificulta a reciclagem.

As pás precisam reunir resistência para suportar ventos fortes e raios, mas também leveza para girar com eficiência. Por isso, são feitas de fibra de vidro ligada por resina epóxi. Quando esse compósito é triturado ou desmontado, suas fibras internas são danificadas, o que praticamente impede o reaproveitamento direto em outros produtos manufaturados.

Dados do Laboratório Nacional de Energias Renováveis dos Estados Unidos indicam que as pás costumam durar cerca de 20 anos com a tecnologia atual. Já a fundação e a torre de uma turbina podem permanecer em uso por cerca de 30 anos. A diferença de durabilidade contribui para o aumento do volume de resíduos compostos, parte dos quais termina em aterros sanitários.

O reaproveitamento já foi testado em outras frentes. Pás inteiras podem substituir estruturas metálicas em vigas para pontes, enquanto uma pá isolada pode funcionar como barreira acústica em áreas urbanas. Em Shenzhen, na China, um banco feito com três pás foi instalado em um centro comercial. Em Roterdã, pás recicladas foram usadas na montagem de um parquinho infantil.

O descarte e o processamento também envolvem cuidados. Fibras de vidro suspensas no ar podem provocar irritação respiratória e gastrointestinal em pessoas que as inalam repetidamente. Não há evidência, porém, de que essas fibras sejam cancerígenas. A transformação em um produto acabado, como uma microcasa, reduz parte da exposição direta associada à trituração ou ao descarte convencional.

O principal desafio para ampliar a solução é logístico. Como as turbinas estão cada vez maiores, transportar pás usadas por longas distâncias se torna caro e complicado. O reaproveitamento tende a fazer mais sentido nas proximidades dos parques eólicos, onde o material já está disponível.

A expansão da energia eólica deve elevar a quantidade de pás que precisarão de destinação. Se o crescimento continuar, estima-se que as turbinas possam produzir até 30 megawatts até 2035. Nesse cenário, iniciativas que convertem resíduos industriais em estruturas úteis aparecem como uma alternativa ao acúmulo do material em aterros.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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