ISLA MUJERES, MÉXICO — A Joyxee Island deixou de receber visitantes em 2019, depois de anos exposta a tempestades e de uma determinação das autoridades locais para que fosse removida. Antes disso, a plataforma construída por Richart “Rishi” Sowa havia se tornado uma residência próxima à costa, no Caribe mexicano, com áreas de cultivo e soluções próprias para reduzir a dependência de estruturas externas.
A ilha foi montada com cerca de 150 mil garrafas PET, reunidas em redes e usadas como módulos de flutuação. Sob esses conjuntos, Sowa colocou paletes de madeira, que formaram a base para as camadas superiores. Areia, terra e matéria orgânica foram acrescentadas gradualmente, enquanto novas redes com garrafas reforçavam as bordas.
Uma casa sobre a água
O projeto recebeu uma casa de três pavimentos, espaços para circulação, pequenos lagos e áreas destinadas ao plantio de hortaliças e ervas. Também havia recursos simples para aproveitar a energia solar e o movimento das ondas. Registros da Joyxee Island mencionam ainda internet, uma máquina de lavar movimentada pelas ondas e uma cachoeira.
A área chegou a aproximadamente 8 mil pés quadrados. Mangues e outras plantas ajudavam a oferecer sombra, formar matéria orgânica e criar uma cobertura viva. Com o crescimento da vegetação, as raízes atravessavam as camadas superiores e se misturavam à madeira e às garrafas.
O uso das plantas, porém, não convertia o plástico em solo natural nem eliminava os riscos ambientais associados ao material. A proposta era criar uma superfície vegetada e habitável a partir de resíduos reaproveitados, com a vegetação contribuindo para consolidar partes da estrutura.
Uma experiência anterior
A Joyxee Island não foi a primeira plataforma flutuante feita por Sowa. No fim dos anos 1990, ele construiu a Spiral Island perto de Puerto Aventuras, também no Caribe mexicano, utilizando aproximadamente 250 mil garrafas. A estrutura foi destruída pelo furacão Emily em 2005.
Depois disso, Sowa retomou a iniciativa em outro ponto do litoral, na região de Isla Mujeres. A segunda ilha ficou a poucos metros da costa e passou a receber visitantes, que chegavam por uma embarcação também produzida com materiais reaproveitados.
Apesar da aparência de refúgio isolado, a Joyxee Island não era completamente independente do continente. O projeto combinava energia solar, cultivo de alimentos e mecanismos simples, mas continuava ligado à proximidade da costa e à necessidade de manutenção.
A experiência ficou associada ao reaproveitamento artesanal de milhares de recipientes descartados. As garrafas forneciam a flutuação da plataforma, enquanto a madeira, o solo e a vegetação compunham a superfície habitável. Com o tempo, entretanto, tempestades, exigências de manutenção, questões de segurança e impactos ambientais acompanharam a trajetória da ilha.


