A ausência de provas apresentadas pelos Estados Unidos sobre drogas ou narcotraficantes nos barcos atacados no mar do Caribe foi usada por Luiz Inácio Lula da Silva para questionar a operação que levou à captura de Nicolás Maduro, em janeiro. Em entrevista à CNN, o presidente também relacionou o episódio à invasão do Iraque, em 2003.
Lula afirmou que pessoas foram mortas nas ações contra embarcações suspeitas de transportar drogas, mas que as autoridades americanas ainda não demonstraram a existência de entorpecentes nem identificaram narcotraficantes. Para o presidente, a resposta às suspeitas deveria ocorrer por meio da prisão dos envolvidos, e não de ataques sem comprovação pública das acusações.
“Não mostraram nenhuma droga, não mostraram nada. Só prenderam”, disse Lula.
Questionamento sobre soberania
Na avaliação do presidente, a operação americana contra Maduro criou um precedente para a soberania dos países. Lula afirmou que o caso afeta a chamada segurança territorial e sugeriu que a ação pode abrir espaço para que um país invada outro.
Maduro foi capturado sob a acusação de integrar uma organização criminosa. Conforme os Estados Unidos, o venezuelano fazia parte do chamado Cartel de los Soles, apontado pelas autoridades americanas como uma rede ligada ao tráfico de drogas.
O ex-presidente da Venezuela está preso em Nova York. Ele responde por acusações de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína e crimes relacionados à posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos.
Referência ao Iraque
Ao sustentar sua crítica, Lula mencionou Saddam Hussein, morto depois da invasão do Iraque pelos Estados Unidos. A ofensiva foi justificada pela alegação de que o regime mantinha armas de destruição em massa.
“Sabe, mataram o Sadam Hussein. Até agora não acharam nenhuma arma química”, afirmou o presidente.
As grandes reservas de armas químicas e biológicas apresentadas como justificativa para a guerra não foram localizadas depois do conflito. Investigações posteriores concluíram que o Iraque havia destruído seu estoque de armas químicas em 1991 e não retomara a produção em escala relevante.


