A Casa Branca disponibilizou em seu site oficial dois jogos que transformam ações contra imigrantes em desafios digitais. Em um deles, inspirado no clássico “Snake”, o jogador deve capturar pessoas que atravessaram o Rio Grande, na fronteira com o México, e deportá-las. No outro, a tarefa é construir um muro na fronteira em uma dinâmica inspirada em “Tetris”.
O segundo jogo tem como título “Proteja a fronteira da horda que se aproxima”. As duas produções usam gráficos retrô associados a jogos lançados originalmente nos anos de 1970 e 1980.
A iniciativa recebeu críticas de grupos de direitos humanos e foi lançada enquanto o governo de Donald Trump amplia operações de detenção e deportação de imigrantes. Amérika García Grewal, codiretora da ONG Frontera Federation, sediada no Texas, afirmou: “Isso me dá nojo. Eles passam anos brincando com a vida das pessoas e agora fazem um videogame com suas ações”.
A representante da organização também disse que quem criou os jogos perdeu de vista o significado de ser humano e de se importar com os outros.
Comunicação do governo
Em comunicado, a Casa Branca defendeu a iniciativa. O governo afirmou que os jogos reforçam o contraste entre uma cultura descrita como “divertida” e “de sucesso” e aquilo que classificou como a visão socialista sombria dos democratas para os Estados Unidos.
A estratégia de comunicação da Casa Branca também tem recorrido ao chamado “trolling” nas redes sociais, com conteúdos provocativos destinados a gerar reação, indignação e engajamento.
Recentemente, o Departamento de Segurança Interna divulgou um vídeo da deportação de imigrantes haitianos algemados, depois que os Estados Unidos revogaram um status que permitia a permanência legal dessas pessoas no país. Com música de fundo, o vídeo foi criticado por opositores de Trump, que o classificaram como degradante e racista.
O departamento informou ter prendido quase 51 mil imigrantes sem documentos em agosto, número considerado recorde pela própria instituição.

