Duas pessoas foram resgatadas vivas de um túnel da usina hidrelétrica Trishuli-3A, no Nepal, mais de uma semana depois de uma enxurrada atingir a fronteira do país com o Tibete e deixar mais de 1,3 mil mortos. As autoridades acreditam que dezenas de outras pessoas ainda estejam presas no local.
Sanjaya Shah e Kabir Maharjan foram retirados na sexta-feira (4/9), depois que os socorristas localizaram a entrada soterrada do túnel e abriram uma passagem entre lama, pedras e água. A operação é orientada pelo australiano Arnold Dix, presidente da Associação Internacional de Túneis e Espaços Subterrâneos.
Uma entrada soterrada e um caminho bloqueado
O primeiro desafio foi encontrar a entrada da estrutura, que antes ficava no alto de uma montanha transformada pela enchente. A equipe combinou métodos de engenharia, mapas topográficos antigos, imagens de satélite feitas depois do desastre e registros de helicópteros. Também usou referências encontradas na superfície, como postes de eletricidade, para estimar a posição do acesso.
Depois de localizar a entrada, os socorristas precisaram determinar em que direção avançar para alcançar os sobreviventes. O túnel estava bloqueado por lama e rochas, algumas maiores que automóveis. Para abrir passagem, foram usados explosivos, uma decisão considerada excepcional pelo risco de atingir as pessoas presas e de comprometer a própria estrutura.
O Exército nepalês ficou responsável pelo controle preciso das detonações. Ao mesmo tempo, a equipe descobriu que o túnel continuava cheio de água. Escavadoras e máquinas de bombeamento foram empregadas na abertura de trincheiras entre o túnel e o rio, permitindo a drenagem.
Por fim, os trabalhadores cavaram, no alto da estrutura, uma passagem estreita, com dimensões suficientes para a passagem de uma pessoa. O teto original do túnel serviu como cobertura desse novo acesso e ajudou a reduzir o risco de alagamento.
Busca continua dentro da montanha
Nas primeiras horas da manhã de sexta-feira (4/9), os socorristas ouviram o que pareciam ser vozes. Eles disseram que estavam ali para resgatar os trabalhadores e receberam um fraco “OK” como resposta. Pouco depois, Shah e Maharjan foram puxados para fora, ambos vivos.
A equipe já havia escavado cerca de 60 metros desde a entrada, mas ainda precisaria avançar outros 150 metros até a usina localizada no interior da montanha. Os responsáveis pela operação esperam que a enxurrada não tenha alcançado a estação. Caso tenha chegado ao local, os trabalhadores podem ter sido atingidos por rochas e lama ou enfrentado uma inundação.
Os riscos permanecem. Água pode surgir dentro do túnel e ameaçar quem está preso. Outra enchente também pode atingir a área externa e fazer a água avançar pela parte posterior da estrutura, criando a possibilidade de infiltração pelos dois lados.
O resgate dos dois homens, porém, renovou a disposição da equipe para continuar. Dix afirma que os trabalhos agora avançam em direção ao que chama de “zona Cachinhos Dourados”, uma área do nível mais alto da usina que pode oferecer condições mais favoráveis à sobrevivência e concentrar outras pessoas ainda não localizadas.


