Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Batalhas de aura deixam as redes e ocupam praças e praias latino-americanas

Eventos inspirados em uma tendência brasileira combinam dança, fantasias e aprovação do público, mas enfrentam restrições em alguns países.

Batalhas de aura deixam as redes e ocupam praças e praias latino-americanas
Foto: Martín Mejía/AP

Uma disputa de “aura” foi cancelada recentemente no bairro de Miraflores, na capital peruana, depois que as autoridades informaram que os organizadores não tinham as licenças necessárias para usar um espaço público. O episódio expõe a recepção desigual de uma tendência que deixou as redes sociais brasileiras e passou a ocupar praias, praças e monumentos em diferentes países da América Latina.

Uma competição sem contato físico

As chamadas batalhas de “farmar aura” reúnem jovens que dançam, fazem poses e apresentam movimentos diante de uma plateia. Os competidores avançam conforme a intensidade dos aplausos e dos gritos, sem contato físico ou troca de insultos. “Eles estão simplesmente cultivando sua aura”, disse Fernando Lícito, criador de conteúdo peruano. “E quem faz o público fazer mais barulho vence.”

A prática ganhou visibilidade no Brasil e passou a circular pelas redes sociais em outros países da região. Desde então, eventos foram realizados ou anunciados em cidades como Lima, Cidade do México, Quito, Caracas e Buenos Aires. Na capital argentina, uma batalha ocorreu diante do Obelisco. A tendência também chegou à Espanha, com encontros em Madri, Burgos e Saragoça.

Em Lima, dezenas de jovens se reuniram no fim de agosto em uma praia. Fantasias de personagens de histórias em quadrinhos e filmes de animação fazem parte das apresentações. Em uma delas, um participante vestido de Homem-Aranha combinou cambalhotas e flexões com música techno. Outro se movimentou saltando em uma perna enquanto lançava a outra para a frente, em uma sequência comparada a um videogame.

Lícito contou que conheceu a proposta ao ver, em junho, um vídeo sobre uma competição no Brasil. Depois disso, levou a ideia ao Peru e organizou três batalhas no país. Alguns participantes incorporam ainda a comemoração de gol de Cristiano Ronaldo, com os braços estendidos para baixo e um som semelhante a “siuu”.

A ideia de acumular “aura”

A expressão remete à lógica dos videogames, em que personagens acumulam pontos e recebem recompensas. Nesse caso, os participantes procuram produzir boas vibrações e elevar a própria “aura”, termo associado, em algumas tradições espirituais, a um campo de energia ao redor das pessoas.

Para María Paula Martínez, da Faculdade de Artes da Universidade de Los Andes, na Colômbia, o objetivo não é necessariamente conquistar popularidade. A proposta, segundo ela, envolve transmitir boas vibrações e ser reconhecido por isso. Martínez também afirmou que a prática passou do ambiente digital para espaços físicos, criando oportunidades de socialização entre adolescentes.

Liam González, estudante de cinema de 20 anos, participou de uma batalha vestido como Shrek. “O 'aura farming' consiste em deixar sua essência fluir em um lugar onde as pessoas estão observando você, mas onde não há vergonha”, disse. Gonzalo Cornelio, de 19 anos, escolheu uma fantasia do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, com um agasalho cinza semelhante ao usado pelo líder deposto na noite em que foi capturado pelos militares dos EUA.

Apoio e restrições

As reações das autoridades variam. Em julho, o prefeito de Cuiabá negou autorização para um torneio, sob o argumento de que a atividade não atendia ao interesse público. O evento acabou transferido para um campus universitário. Na Costa Rica, o Ministério da Educação proibiu batalhas de aura em escolas públicas por considerar que elas poderiam provocar conflitos entre alunos ou prejudicar o aprendizado.

No México, a tendência recebeu uma resposta diferente. O secretário de Educação publicou um vídeo em que aparece sorrindo e afirma estar “cultivando uma boa educação”, enquanto o país se prepara para o novo ano letivo.

González disse que o “aura farming” lhe oferece diversão e uma forma de expressão, embora sua avó não compreenda a atividade e a considere uma bobagem. “Nós nascemos em épocas diferentes”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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