O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) selecionou dez redações escritas no Enem 2025 para apoiar a preparação dos estudantes para o exame de 2026. A prova será aplicada nos dias 8 e 15 de novembro, e a redação dissertativo-argumentativa poderá alcançar 1000 pontos.
O tema da edição anterior foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”. Os textos escolhidos abordam diferentes dimensões da velhice, como etarismo, isolamento, violência patrimonial, desigualdade social, acesso à saúde, participação no mercado de trabalho e reconhecimento dos saberes dos mais velhos.
Dez abordagens para um mesmo tema
A seleção reúne textos de Ana Luiza Martins dos Santos Figueiroa, Bruno Pereira de Carvalho, Caio Silva Braga, Camila Guzatti Vial, Davi Villela dos Anjos, Gerson Alves Garcia da Silva, Heitor Ribeiro Bezerra, Jhulie Adam dos Santos Lemos, Rafael Barros Barbosa e Rodrigo Nunes Fontes.
As redações apresentam caminhos argumentativos distintos. Ana Luiza discute a desvalorização de pessoas idosas em uma sociedade orientada pela produtividade e defende políticas de inclusão e proteção. Bruno trata da exclusão familiar, da violência patrimonial e das dificuldades enfrentadas por grupos socialmente marginalizados para envelhecer.
Caio contrapõe a valorização dos mais velhos em comunidades tradicionais à trajetória histórica brasileira e aborda o enfrentamento ao etarismo. Camila concentra-se no preconceito etário e na falta de espaço para o debate público sobre o envelhecimento. Davi examina a solidão na velhice e a discriminação no mercado de trabalho.
Gerson propõe centros de convivência e acesso igualitário à saúde. Heitor enfatiza a contribuição intelectual e a experiência acumulada pelos idosos. Jhulie discute a necessidade de romper estereótipos e as desigualdades que atingem pessoas idosas em situação econômica desfavorável. Rafael aborda a invisibilidade social e o etarismo estrutural.
Rodrigo analisa a influência da mídia e a responsabilidade das famílias na maneira como a velhice é percebida. O texto relaciona a representação estereotipada de personagens idosos à saúde mental e defende também o letramento digital como forma de reduzir a exclusão tecnológica e os riscos de golpes virtuais.
Repertórios culturais e propostas de intervenção
Os candidatos mobilizam filmes, livros, músicas e conceitos de pensadores para desenvolver suas ideias. Entre as referências estão “Vitória”, “Up – Altas Aventuras”, “O Karaíba”, “Sagarana”, “O Burrinho Pedrês”, “As Intermitências da Morte”, “Vestido de Noiva”, “Ainda Estou Aqui”, “O agente secreto” e “Um Senhor Estagiário”. Também aparecem Simone de Beauvoir, Byung-Chul Han, Achille Mbembe, Michel Foucault, Karl Marx, Ailton Krenak, Érico Veríssimo, Virginia Satir e Nelson Rodrigues.
Duas redações da lista são identificadas como nota mil: a de Caio Silva Braga, apresentada como redação 3, e a de Rodrigo Nunes Fontes, indicada como redação 10.
As propostas formuladas pelos participantes incluem a criação de centros de convivência, a ampliação dos atendimentos de saúde, ações educativas contra o preconceito, estímulo à convivência entre gerações, medidas de inclusão no mercado de trabalho e produção de obras audiovisuais sem representação negativa da velhice. As intervenções são apresentadas como respostas aos problemas discutidos em cada texto.


