A inclusão escolar pode ser trabalhada ao longo de toda a rotina, e não apenas em ocasiões específicas. A escolha de materiais, a adaptação de atividades e propostas que reconheçam diferentes formas de participação ajudam a considerar a diversidade linguística, cultural e os modos de aprender dos estudantes.
O país conta com normas que orientam esse trabalho. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (13.146/2015) prevê medidas relacionadas à inclusão. Também fazem parte desse marco a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva, lançada em 2025, e a PNEEPEI (Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva), de 2008, institucionalizada pela política mais recente. Entre as diretrizes estão práticas pedagógicas inclusivas na formação de professores e a oferta de recursos de acessibilidade.
Datas como ponto de partida
Embora as escolas não dependam de efemérides para desenvolver ações de inclusão, o calendário pode contribuir para a organização de atividades. O dia 21 de setembro marca o Dia Nacional da Luta da Pessoa com Deficiência. Já no dia 23 é celebrado o Dia Internacional das Línguas de Sinais.
Essas datas podem abrir conversas com os estudantes sobre diversidade, acessibilidade, comunicação, respeito e as diferentes maneiras de aprender e participar da vida escolar. O trabalho, porém, pode ser incorporado a outros momentos do cotidiano da escola.
Materiais para educadores e famílias
Entre os recursos disponíveis estão orientações para famílias compreenderem a educação inclusiva, conhecerem direitos e acompanharem a trajetória escolar de crianças e adolescentes com deficiência. Há também propostas de jogos e atividades pedagógicas que mostram como criar ou adaptar materiais para diferentes estudantes e contextos de aprendizagem.
Outros conteúdos abordam o papel da formação docente, a acessibilidade, a tecnologia e a educação bilíngue para pessoas surdas. Em um artigo, Ivan Siqueira, professor na UFBA (Universidade Federal da Bahia), discute as possibilidades e os limites da inteligência artificial nos processos de inclusão escolar.
A educação bilíngue em Libras e português aparece associada à revisão de metodologias e à superação de estereótipos. A professora da EMEI Gabriel Prestes, em São Paulo (SP), ensina Libras às turmas e envolve a comunidade escolar nesse processo. A perspectiva é que a educação inclusiva considere características, interesses, talentos e formas únicas de aprender, em vez de depender de modelos padronizados.


