Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Twiggy atravessa seis décadas entre moda, cinema e uma relação tranquila com o envelhecimento

A modelo britânica que marcou os anos 1960 ampliou sua carreira para o cinema, o teatro, a música e o design de moda.

Twiggy atravessa seis décadas entre moda, cinema e uma relação tranquila com o envelhecimento
Foto: OK McCausland/The New York Times

Twiggy, a modelo britânica que se tornou um dos rostos mais reconhecidos da moda dos anos 1960, diz não se preocupar em excesso com o envelhecimento. Aos quase 77 anos, Lesley Hornby preserva os cabelos loiros, a franja e os olhos azuis que ajudaram a construir sua imagem pública, mas afirma que não dedica muito tempo à aparência.

“Não passo muito tempo pensando no meu visual”, disse Twiggy. Para ela, a preocupação constante com rugas não faz parte da maneira como se relaciona consigo mesma.

Da família trabalhadora ao centro da moda

Twiggy foi descoberta em 1966, aos 16 anos, por uma editora de moda. Naquele momento, seu corpo magro, o corte pixie loiro, as pintas no rosto e os cílios postiços contrastavam com o padrão dominante entre as modelos, associado a mulheres mais maduras, sensuais e próximas da imagem da alta sociedade.

Filha de um carpinteiro e integrante de uma família de classe trabalhadora, ela tinha 1,67 m de altura e traços considerados quase infantis. O apelido Twiggy foi adotado imediatamente, e sua aparência passou a simbolizar a atmosfera de juventude, abertura e mobilidade social que se afirmava na Londres dos anos 1960.

Seu rosto foi usado para promover cosméticos, roupas e lancheiras. A dimensão comercial, porém, não encerrou sua trajetória. Um documentário dirigido por Sadie Frost, lançado em 2025, acompanha aspectos menos conhecidos de sua vida e mostra como a carreira avançou para além da moda.

Cinema, palco e música

Depois de quatro anos como modelo, Twiggy trabalhou com fotógrafos como Barry Lategan, Cecil Beaton, Bert Stern, Richard Avedon e Helmut Newton. Em seguida, passou ao cinema, mesmo sem experiência anterior em atuação, canto ou dança.

O diretor Ken Russell a escolheu como protagonista de O Namoradinho, filme musical de 1971. Para o papel, ela recebeu aulas de canto e dança e aprendeu sapateado em um ano. A atuação lhe rendeu dois Globos de Ouro.

Twiggy também se apresentou nos palcos de Londres, participou de dezenas de filmes e programas de televisão, gravou álbuns e desenhou coleções de moda. Em 1983, dividiu o protagonismo com Tommy Tune em um revival na Broadway do musical de Gershwin Tudo por Você, trabalho que resultou em uma indicação ao Tony.

A relação com Tune permaneceu importante para ela. Twiggy o descreveu como a personificação da elegância e lembrou que o colega a acompanhou em momentos decisivos de sua trajetória artística.

Proteção e memória familiar

O documentário de Frost também mostra situações de exposição vividas por Twiggy desde a adolescência, como perguntas invasivas sobre seu corpo e entrevistas conduzidas de maneira condescendente. Em uma conversa com Woody Allen, ainda jovem, ela respondeu a uma pergunta sobre seu filósofo favorito perguntando o mesmo ao entrevistador.

Ao falar sobre a serenidade que desenvolveu, Twiggy atribui papel central ao pai, Norman. Sua mãe, Nell Hornby, enfrentou doenças mentais e passou períodos internada em alas psiquiátricas. Norman cuidou das três filhas e, segundo Twiggy, procurou mantê-la protegida das dificuldades familiares.

Ela também recorda o modo como o pai se referia à relação com a esposa: “Porque eu a amo”. Durante seus primeiros anos como modelo, Twiggy contou ainda com a proteção de seu então namorado e empresário, Justin de Villeneuve.

A vida adulta trouxe outras perdas. Seu primeiro marido, o ator Michael Witney, morreu de forma súbita quando a filha do casal, Carly, estava prestes a completar cinco anos. Mais tarde, Twiggy se casou com o ator, escritor e diretor Leigh Lawson, com quem vive há quase quatro décadas.

Hoje, ela é avó dos dois filhos de Carly e mantém vínculos com amigos que aparecem no documentário, entre eles Dustin Hoffman, Fran Drescher, Joanna Lumley, Paul McCartney e Stella McCartney. Em 2019, Stella McCartney desenhou o smoking creme usado por Twiggy ao receber o título de Dama da Ordem do Império Britânico no Palácio de Buckingham.

Uma imagem que continua em circulação

Twiggy afirma não ser uma grande compradora de alta costura e diz que não consegue usar salto alto. Seu guarda-roupa inclui peças acessíveis, como uma antiga linha criada para a Marks & Spencer.

A modelo continua respondendo às cartas de fãs. Muitas vêm de jovens entre 14 e 25 anos, atraídos tanto pelo interesse renovado na moda dos anos 1960 quanto pela permanência de sua imagem na cultura popular.

Twiggy descreve essa imagem como “essa criaturinha que fica no meu ombro e nunca vai embora”. A frase resume a convivência entre a mulher que construiu uma carreira extensa e o ícone criado quando ela ainda era adolescente.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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