Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Machado de Assis e as marcas que o tempo deixa na memória

Seis passagens de romances do escritor mostram como o passado se transforma quando é revisitado pela lembrança e pela narrativa.

Machado de Assis e as marcas que o tempo deixa na memória
Foto: Arquivo Estadão

A memória, nos romances de Machado de Assis, não funciona como um arquivo intacto. Ao retornar ao que viveram, os personagens tentam compreender mudanças, perdas e escolhas antigas, mas também revelam que suas lembranças podem conter lacunas, alterações e contradições. O passado reaparece menos como certeza do que como matéria sujeita à interpretação.

Morto em 29 de setembro de 1908, Machado explorou a distância entre a pessoa de antes e aquela que se tornou outra com o passar dos anos. Em Dom Casmurro, Memórias Póstumas de Brás Cubas e Esaú e Jacó, o tempo modifica não apenas pessoas e sentimentos, mas também a forma como uma história é organizada e contada.

O tempo como transformação

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, a relação entre a passagem dos anos e a existência aparece condensada na frase: “Matamos o tempo; o tempo nos enterra.” A formulação aproxima a tentativa humana de controlar os dias da impossibilidade de escapar de seus efeitos.

Já em Dom Casmurro, o narrador reconhece que seu projeto de unir juventude e velhice não se realizou. A tentativa de reconstruir a própria trajetória esbarra na constatação de que não é possível recompor integralmente nem o passado vivido nem a pessoa que se foi.

Em Esaú e Jacó, Machado compara o tempo a um agente que corrói ou modifica as coisas, conferindo a elas uma aparência diferente. Em outra passagem do mesmo romance, a passagem dos anos surge como um tecido invisível sobre o qual podem ser bordados elementos diversos, entre flores, pássaros, damas, castelos e túmulos.

O que permanece incompleto

A mudança, porém, não é apresentada necessariamente como perda. Em Dom Casmurro, uma vida diferente é descrita como algo que não precisa ser pior, mas simplesmente outro modo de existir.

Por fim, Esaú e Jacó observa que os acontecimentos graves deixam detalhes pelo caminho. Quando a imaginação preenche essas ausências, a história não deixa de existir, mas passa a carregar também aquilo que foi reconstruído pela memória.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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