A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, incorporou uma música de Bad Bunny a uma peça eleitoral voltada à defesa da soberania nacional. A escolha ocorre depois de o presidente levar o tema ao centro de seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York.
A faixa adaptada é “Lo que pasó a Hawaii”, em que o cantor porto-riquenho aborda o receio de perda da identidade cultural e da soberania em Porto Rico. A composição usa o Havaí como referência histórica e simbólica e trata dos efeitos da presença estrangeira, do turismo, da valorização imobiliária e da transformação dos costumes sobre populações nativas.
Na peça, a campanha aproxima esse debate da mensagem que Lula vem desenvolvendo na disputa eleitoral. O discurso na ONU ocorreu na terça-feira (22), quando o presidente criticou interferências externas em processos eleitorais e defendeu o direito de cada país decidir seus próprios rumos.
Durante a fala, Lula não mencionou nominalmente os Estados Unidos. Ainda assim, criticou pressões externas e afirmou que a democracia volta a estar sob ameaça. Em outro momento, declarou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”, frase que passou a resumir a estratégia de contraposição a ingerências estrangeiras.
A situação de Porto Rico, território associado aos Estados Unidos, está no pano de fundo da música. A canção expressa o temor de que a população local se torne estrangeira em sua própria terra e relaciona a referência ao Havaí a processos de gentrificação, ocupação estrangeira e descaracterização cultural.
Ao levar a faixa para a campanha, Lula associa a discussão brasileira a uma narrativa latino-americana de defesa da identidade nacional e resistência a pressões externas. A mensagem também se conecta à retórica recente do presidente, que apresenta a eleição como uma escolha entre autonomia nacional e subordinação.
O pronunciamento ocorreu em meio a tensões políticas com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na ocasião, Lula também tratou de temas internos, como bets, Pix e escala 6×1, além de criticar interferências em eleições e “investidas neocoloniais por recursos estratégicos”.
Porto-riquenho, Bad Bunny já abordou em sua obra a identidade cultural, a relação de Porto Rico com os Estados Unidos e os efeitos sociais da presença norte-americana na ilha. Na campanha, a música passa a servir de trilha para a defesa da ideia de que as decisões sobre o Brasil devem ser tomadas pelo povo brasileiro, sem interferência de governos estrangeiros ou interesses externos.


