Disponível na Netflix, O Homem que Sussurra leva às telas o romance homônimo do britânico Alex North, publicado originalmente em 2019 e lançado no Brasil como O Homem Sussurro, pela Record. O filme reúne investigação policial, desaparecimento infantil e uma atmosfera de suspense construída sem depender de reviravoltas grandiosas.
A direção é do neozelandês James Ashcroft, em seu primeiro grande trabalho na função. O elenco tem Robert De Niro no papel de Pete Willis, detetive aposentado que, décadas antes, prendeu o criminoso conhecido como O Homem que Sussurra. Aos 83 anos, o ator interpreta um personagem solitário, arrogante e marcado pela própria trajetória profissional.
A história começa quando policiais procuram pistas de uma criança desaparecida em uma floresta seca e árida. A fotografia dessaturada de Peter Deming estabelece um ambiente taciturno, associado a produções britânicas contemporâneas e ao clima da série True Detective.
Um criminoso atrás das grades
A detetive Amanda Beck, interpretada por Michelle Monaghan, investiga uma sequência de crimes atribuídos ao serial killer. O método do criminoso envolve aparecer nas janelas de quartos de crianças fragilizadas, conversar com elas em voz baixa e conquistar sua confiança antes de levá-las para um cativeiro.
O caso ganha uma nova dimensão porque o suspeito está cumprindo prisão perpétua. Mesmo encarcerado, ele se torna uma peça importante para o avanço da investigação. Michael Keaton interpreta o assassino e contracena com De Niro em uma dinâmica que remete a O Silêncio dos Inocentes.
A ligação entre o antigo detetive e o presente surge por meio de Tom Kennedy, vivido por Adam Scott. Viúvo e escritor, Tom havia se mudado para a cidade do pai com o filho de oito anos, na tentativa de começar uma nova vida. Durante uma noite de chuva, porém, o menino é sequestrado. A partir desse momento, Amanda, Pete e Tom passam a agir juntos para encontrá-lo.
Suspense sem pressa
A investigação recorre continuamente a acontecimentos do passado para esclarecer o presente, recurso que aproxima o filme de Longlegs - Vínculo Mortal (2024). Embora siga caminhos conhecidos do gênero e adote uma construção convencional, o longa sustenta a tensão pela progressão gradual dos acontecimentos.
A temática envolve cenas e diálogos incômodos. O impacto não desaparece pelo fato de a história ser fictícia: o filme aposta na perturbação provocada pelo desaparecimento de crianças e pela presença de um criminoso que continua influenciando os acontecimentos mesmo preso.
Sem grandes efeitos ou reviravoltas mirabolantes, O Homem que Sussurra se apoia na narrativa e nas atuações. A referência a O Silêncio dos Inocentes (1991) ajuda a situar a relação entre investigadores e psicopata, enquanto a fotografia e o ritmo reforçam uma experiência de suspense à moda antiga.


