O documentário How to Live on Earth, apresentado e narrado por Benedict Cumberbatch, foi disponibilizado gratuitamente no YouTube neste domingo, 20. Produzido pela Open Planet Studios, o filme trata da perda da biodiversidade e reúne experiências de recuperação de ecossistemas em diferentes partes do mundo.
A produção não pretende reproduzir o estilo associado a David Attenborough, naturalista britânico cuja presença atravessa grande parte dos documentários de natureza. Cumberbatch afirma que a narração foi construída para preservar sua própria personalidade e para soar coerente com sua trajetória. Trechos do roteiro foram adaptados ao modo de expressão do ator.
Uma crise além do clima
O projeto parte da percepção de que a emergência climática não é a única transformação ambiental em curso. Jonnie Hughes, produtor e sócio da Open Planet Studios, afirma que a perda da natureza ocorre sem ser percebida na mesma proporção que as mudanças no clima. O documentário procura responder a esse problema apresentando iniciativas que já estão em andamento, em vez de concentrar o relato apenas em cenários futuros.
As histórias mostram pessoas tentando recuperar ambientes degradados, reconstruir vínculos com os ecossistemas e desenvolver maneiras de produzir e viver sem colocar as necessidades humanas em oposição à natureza. Cumberbatch se aproximou do projeto depois de perceber que não precisaria repetir uma fórmula consagrada do gênero. Ele já conhecia o diretor Fredi Devas, com quem havia trabalhado no documentário Antarctica.
A participação do ator também é apresentada como uma forma de ampliar a visibilidade de pessoas que atuam diretamente nas questões ambientais. Embora seja conhecido por seu ativismo, Cumberbatch afirma não se considerar especialista e diz que seu papel é usar a projeção pública para destacar trabalhos desenvolvidos em campo.
A Amazônia e os incentivos à preservação
A Amazônia aparece como um dos principais eixos do filme. O recorte evita apresentar a região somente como símbolo do desmatamento e procura mostrar mecanismos econômicos que poderiam tornar a preservação uma alternativa para quem depende da terra.
Hughes defende que mudanças no sistema financeiro podem elevar a remuneração de proprietários que conservam áreas de floresta com biodiversidade. A proposta é deslocar o debate de uma escolha entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental para modelos capazes de combinar as duas dimensões.
O produtor também afirma que o documentário não pretende responsabilizar fazendas de gado ou pessoas que buscam meios de subsistência. A abordagem procura apresentar possibilidades diferentes de geração de renda e tratar essas alternativas como parte da preservação.
Prisões, corais e rios
Entre as experiências reunidas estão presidiários que retomam o contato com a natureza dentro das prisões, equipes dedicadas à recuperação de recifes de coral nas Maldivas e o acompanhamento da restauração de um sistema fluvial na Califórnia.
Para Cumberbatch, essas histórias indicam que a recuperação de ambientes não é apenas uma ideia abstrata. A produção mostra soluções conduzidas pela própria natureza e outras desenvolvidas pela inventividade humana. “Temos que aprender a trabalhar com a natureza, não contra ela”, afirma o ator.
A perspectiva também se relaciona ao título do documentário: encontrar formas de reintegrar as pessoas aos ecossistemas dos quais fazem parte, em vez de tratá-las como elementos separados deles.
A escolha pelo YouTube
A distribuição gratuita é parte da proposta do projeto. Ao evitar uma plataforma de streaming por assinatura, a produção busca alcançar um público amplo e facilitar o acesso ao conteúdo sobre biodiversidade.
Hughes cita os cerca de 2,7 bilhões de usuários mensais do YouTube e destaca que a plataforma permite compartilhar o filme sem exigir uma assinatura. Escolas discutem a possibilidade de incorporá-lo aos currículos, enquanto cientistas podem utilizá-lo como material de referência e empresas demonstraram interesse em disponibilizá-lo para funcionários.
Para Cumberbatch, ampliar o acesso ajuda a levar mais pessoas à discussão sobre soluções ambientais. A distribuição aberta, nesse sentido, não é apenas uma decisão de lançamento, mas uma extensão da proposta de aproximar o público de experiências que já buscam novas formas de convivência com a natureza.


