Arnaldo Antunes e Adriana Calcanhotto lançaram o álbum Vice-versa, projeto em que as vozes dos dois permanecem reconhecíveis, mas também formam uma terceira sonoridade. O disco tem 11 faixas, dez delas inéditas, compostas especialmente para o encontro, e está disponível nas plataformas digitais.
A ideia de manter as identidades sem impedir a fusão orienta o trabalho. Antunes define o resultado como uma síntese em que tese e antítese não desaparecem. Calcanhotto descreve o efeito como a combinação de registros graves e agudos, masculinos e femininos. “Juntas, nossas vozes fazem uma voz com um espectro sonoro inacreditável”, afirma a cantora e compositora.
O álbum foi mantido em segredo durante a gravação. O título nasceu de um codinome sugerido por Calcanhotto para evitar que a parceria fosse descoberta. O projeto só foi apresentado em 22 de setembro, cerca de 1h30 antes de chegar às plataformas digitais e ao YouTube, com um audiovisual para cada faixa. Todos os vídeos foram dirigidos pela cineasta Daniela Thomas.
Um encontro construído ao longo do tempo
A aproximação entre os artistas inclui registros anteriores. Calcanhotto gravou “Sonífera Ilha” e “Miséria”, dos Titãs, em seu primeiro disco. Os dois também lançaram juntos a canção “Para Lá”, no álbum Maré, de 2008. A centelha para o novo projeto surgiu no Coala Festival, em 2024.
Depois disso, passaram a compor em encontros marcados pelo que Antunes chama de um terreno comum. As vozes aparecem juntas em todas as faixas, com exceção de “Agora Juntos”. Nessa canção, eles cantam separados e só se unem no final, em uma letra que contrapõe o desejo de segurança ao impulso em direção ao caos.
“As Bancas de Jornais” observa a transformação das bancas, que deixaram de vender jornais para oferecer produtos como chicletes, capinhas de celular, refrigerantes e ursinhos de pelúcia. Antunes relaciona a faixa à convivência entre violência, guerra, excesso de informação e amenidades nas redes sociais.
Também Capaz e Não me Deu seguem a linha de observação crítica do presente. Esta última transforma a expressão “Graças a Deus” em uma enumeração de coisas que o narrador não recebeu, entre elas petróleo, certezas inabaláveis, garantias e dados sigilosos. O repertório inclui ainda uma nova versão de “Sorriso Livro”, reggae lançado pela Timbalada em 2006.
Produção e chegada aos palcos
Pupillo produziu o álbum. A banda reúne Pedro Sá na guitarra, Vitor Araújo no piano, Lucas Martins no baixo e Tomé Antunes no violão. O repertório atravessa rock, samba, samba-rock, baião, balada e indie. As vozes foram gravadas em um único dia, depois que as bases ficaram prontas, em um processo que preservou a espontaneidade das interpretações.
A turnê de Vice-versa será produzida pela 30e e pelo Itaú Live e começará em março de 2027. A estreia está marcada para 6/3/27, em São Paulo, no Espaço Unimed. Depois, o roteiro passa por Rio de Janeiro, em 20/3/27, no Qualistage; Belo Horizonte, em 3/4/27, no Minas Centro; Recife, em 10/4/27, no Teatro Guararapes; Porto Alegre, em 23/4/27, no Auditório Araújo Vianna; e Curitiba, em 24/4/27, no Teatro Positivo.
Os artistas ainda definem a estrutura do espetáculo e o repertório completo. A prioridade será o novo álbum, mas a apresentação também deve incluir canções ligadas à trajetória dos dois, como “Para Lá” e “Estrelas”, além de músicas emblemáticas de suas carreiras.


