Tomi Adeyemi descreveu como difícil a trajetória da adaptação cinematográfica de Filhos de Sangue e Osso, seu romance de estreia. Em julho, a escritora publicou um vídeo de cinco minutos no TikTok e classificou a produção como “a pior coisa que já tive que viver”. Ela relatou ter deixado o set chorando e com falta de ar, além de ter enfrentado dores físicas e ataques de pânico.
A autora participou da elaboração do roteiro, mas afirmou que passou a se sentir cada vez mais insatisfeita com o andamento do projeto. Na entrevista, preferiu não explicar o que teria ocorrido durante as gravações. “Eu não vou entrar nos detalhes”, disse. Para Adeyemi, a experiência envolvendo a trilogia e o filme foi intensa.
O longa tem estreia prevista para janeiro de 2027 e reúne Viola Davis, Idris Elba, Regina King, Damson Idris, Amandla Stenberg e Cynthia Erivo. Apesar de ter trabalhado no roteiro, Adeyemi afirmou que não planeja assistir à produção. “Ainda não pretendo assisti-lo, mas não é para mim”, declarou.
Diferenças entre livro e filme
A escritora também rejeitou a possibilidade de adaptar novamente uma de suas obras. Ao ser questionada sobre voltar a levar um livro para o cinema, respondeu: “Nunca.”
Adeyemi ressaltou a distância entre a autonomia que possui na literatura e as decisões tomadas durante a realização de um filme. No livro, segundo ela, pode discutir cada escolha, enquanto a produção cinematográfica fica sob responsabilidade do diretor. Por isso, afirmou que as decisões do longa não são suas.
A escalação de Amandla Stenberg para um papel cuja personagem é descrita no romance como tendo “pele cobre escura” gerou debates sobre colorismo. Em fevereiro de 2025, a atriz havia respondido a críticas relacionadas ao elenco. No vídeo publicado em julho, Adeyemi mostrou mensagens aparentemente enviadas a Stenberg e pediu que seu nome não fosse mencionado novamente por ela em entrevistas ou vídeos, além de solicitar que a atriz não voltasse a entrar em contato.
Publicado em 2018, Filhos de Sangue e Osso acompanha Zélie, uma jovem que tenta devolver a magia ao reino de Orïsha. Inspirado na mitologia da África Ocidental, o romance colocou uma protagonista negra no centro de uma fantasia, alcançou o primeiro lugar da lista de mais vendidos de literatura jovem adulta do New York Times e rendeu à autora um contrato de publicação milionário.


