Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cultura

Adaptações fazem livros retornarem às livrarias e ampliam o alcance das histórias

Dados mostram que obras adaptadas atraem mais audiência e podem impulsionar vendas, enquanto leitores discutem escolhas e mudanças nas telas.

Adaptações fazem livros retornarem às livrarias e ampliam o alcance das histórias
Foto: Amazon MGM Studios/Divulgação

O lançamento de uma série ou filme pode levar uma obra literária de volta às livrarias. Um exemplo aparece nos números de Um Dia, de David Nicholls: no Reino Unido, o livro vendeu 3.216 exemplares nas 26 semanas anteriores à estreia da série da Netflix, em fevereiro de 2024. No período de 26 semanas posterior ao lançamento, foram 143.193 cópias.

O movimento acompanha uma presença crescente de histórias literárias no cinema e no streaming. Entre as séries dramáticas originais britânicas e americanas disponibilizadas pela Netflix, pelo Prime Video e pelo Disney+ entre janeiro de 2024 e junho de 2025, 48% foram baseadas em livros. A audiência média dessas adaptações ficou 21% acima da registrada pelas produções sem origem literária, conforme relatório da Publishers Association publicado em março de 2026.

O que chega às telas

Na última quarta-feira, 23, A Hipótese do Amor, romance de Ali Hazelwood, estreou no streaming. Ainda estão previstas adaptações de Verity, de Colleen Hoover, Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita e uma nova série de Harry Potter. São obras de gêneros e períodos diferentes, reunidas pela existência de personagens conhecidos e por comunidades de leitores formadas antes da chegada das produções ao audiovisual.

Para Fabiano Grendene de Souza, cineasta e professor do Curso de Produção Audiovisual da PUCRS, essa prática não é recente. “A adaptação é uma prática histórica e constante”, afirma. Na avaliação dele, o interesse das produtoras está ligado ao percurso anterior das obras: narrativas e personagens já reconhecidos pelo público leitor oferecem uma base para a comunicação com uma audiência mais ampla.

Essa relação anterior também explica a expectativa de quem leu o livro. A escolha do elenco, as cenas presentes no roteiro e as alterações feitas nos personagens começam a ser debatidas desde os primeiros anúncios. Cris Siqueira, criadora de conteúdo do perfil Cris e Panda, diz que o espectador procura reencontrar na tela aquilo que marcou sua leitura e o sentimento deixado pela obra.

Cada leitor, porém, constrói uma imagem própria para a aparência, a voz e o comportamento dos personagens. A adaptação apresenta apenas uma dessas possibilidades. Por isso, uma cena considerada secundária no roteiro pode ser central para parte do público, enquanto mudanças necessárias à narrativa audiovisual podem provocar rejeição.

Conversas e escolhas

As críticas variam. Algumas se concentram em detalhes que não alteram o percurso da história; outras questionam a retirada de personagens, debates ou acontecimentos importantes. Cris considera possíveis as mudanças que tornam o roteiro mais fluido, articulam temporadas ou atualizam a linguagem para outra geração. “Acho que faz sentido lembrar que o livro vai estar sempre ali para a gente”, diz.

As redes sociais ampliaram o espaço dessas discussões. Sugestões de elenco, expectativas sobre cenas e comentários sobre alterações no roteiro circulam antes e depois da estreia. O volume dessa conversa diferencia o momento atual e contribui para aumentar a visibilidade das adaptações e as expectativas em torno delas.

Efeito sobre as editoras

Na editora Rocco, as vendas costumam pelo menos dobrar ou triplicar quando uma adaptação é anunciada ou lançada, afirma a editora-executiva Ana Lima. O resultado depende do alcance do filme ou da série e tende a se concentrar no título adaptado ou em outros volumes da mesma coleção.

Obras antigas também podem voltar à atenção do público. A Hora da Estrela, filme de 1985 dirigido por Suzana Amaral, ganhou uma nova circulação com o relançamento em 4K. A publicação de trechos nas redes sociais acompanhou o aumento da procura pelo livro de Clarice Lispector, que já vendia antes da nova distribuição do filme.

Diante de uma adaptação, a editora revisa tiragem, estoque, distribuição e divulgação. O momento também pode favorecer boxes, audiolivros e edições ilustradas. Para acompanhar as próximas produções, a Rocco prepara novos produtos de Jogos Vorazes e Harry Potter.

O impacto, contudo, não é automático: nem toda estreia eleva a venda de livros, e nem todo comprador termina a leitura. Ainda assim, a adaptação reabre o contato com a obra. O público pode chegar à tela depois de conhecer as páginas ou fazer o caminho inverso, encontrando no livro outra versão da história vista no filme ou na série.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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