Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cinema

Yellow Cake transforma pesquisa nuclear em ficção científica sem aprofundar seus conflitos

Filme de Tiago Melo acompanha experimento para esterilizar mosquitos da dengue, mas perde força entre cortes confusos e ideias pouco desenvolvidas.

Yellow Cake transforma pesquisa nuclear em ficção científica sem aprofundar seus conflitos

Em Yellow Cake, um experimento internacional criado para esterilizar mosquitos transmissores da dengue sai do controle e transforma uma região do sertão paraibano em cenário de uma ameaça radioativa. O filme de ficção científica dirigido por Tiago Melo combina debates sobre pesquisa científica, interesses políticos e conflitos éticos, mas não consegue desenvolver essas possibilidades com a mesma força com que as apresenta.

A história acompanha Rúbia (Rejane Faria), física nuclear envolvida na operação. Para viabilizar o projeto, os cientistas procuram urânio na região de Picuí, onde a pesquisa é conduzida em meio a disputas políticas e dilemas morais. Quando o experimento fracassa, os mosquitos radioativos passam a ser alvo de uma operação de extermínio.

Ideias que não avançam

A trama começa com o projeto já em andamento e exige que suas regras sejam explicadas ao público. A apresentação direta dos personagens e o excesso de atenção à composição visual acabam enfraquecendo a compreensão dos conflitos. Pela perspectiva de Rúbia, a narrativa percorre a região, seus moradores e seus mistérios, mas sem aprofundá-los.

O filme se aproxima do tom de Arquivo-X ao inserir o peculiar em uma moldura de ficção científica. Também recorre ao humor ligado à regionalidade e alterna momentos em português e em outro idioma. A proposta visual tem elementos interessantes, mas os planos são finalizados de maneira inconsistente, o que faz a produção depender da própria ousadia para produzir impacto.

A montagem e a edição estão entre os principais obstáculos. Os cortes entre as cenas são confusos e dificultam a conexão entre os acontecimentos, como se as partes da história permanecessem separadas. A ausência de explicações técnicas excessivas não resolve esse problema: mesmo sem um vocabulário científico carregado, o encadeamento narrativo exige esforço para ser acompanhado.

Ao explorar a energia nuclear como ponto de partida para o fantástico, Yellow Cake reúne temas com potencial dramático, mas os desenvolve de modo limitado. O longa-metragem deve chegar em breve aos cinemas brasileiros e deixa, em muitos momentos, a sensação de que suas ideias não encontraram uma forma capaz de conduzir a história com clareza.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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