Harvey Weinstein foi sentenciado a 15 anos de prisão em Nova York após ser considerado culpado novamente pelo crime sexual contra Miriam Haley, ex-assistente do reality show Project Runway. A decisão marca uma nova etapa de um caso associado ao movimento #MeToo.
A promotoria havia solicitado 20 anos de prisão, enquanto a defesa pediu nove. Os advogados argumentaram que Weinstein, de 74 anos, tem saúde extremamente delicada. Entre os problemas médicos citados estão câncer na medula óssea, leucemia mieloide crônica e doença arterial coronariana.
Durante a audiência, o ex-produtor reconheceu que cometeu erros, mas manteve a afirmação de inocência especificamente em relação à acusação feita por Haley. Ele também pediu desculpas a quem pudesse ter sido prejudicado e solicitou clemência ao tribunal. “Quero viver fora destas paredes. Não sou um homem violento”, afirmou.
A promotora-assistente de Manhattan, Nicole Blumberg, defendeu a manutenção da pena sem redução. Para ela, Weinstein não demonstrou arrependimento e tentou atribuir responsabilidade às vítimas, além de promover ataques virtuais durante o processo.
Blumberg afirmou ainda que o ex-produtor teria negociado o pagamento de US$ 1,75 milhão para ajudar podcasters a divulgar vídeos favoráveis à sua defesa e capazes de influenciar possíveis jurados. A acusação parece estar relacionada a uma entrevista concedida por Weinstein a Candace Owens em maio de 2025.
Relato de Miriam Haley
Haley disse ao tribunal que precisou depor pela segunda vez sobre o caso e descreveu a experiência como traumatizante. Ela relatou ter conhecido Weinstein em 2004, em uma festa após a estreia de um filme, e ter voltado a encontrá-lo no Festival de Cannes, em 2006.
Segundo Haley, foi nessa ocasião que Weinstein lhe ofereceu um trabalho como assistente de produção em Project Runway. Ainda em 2006, ela afirmou que ele a forçou a praticar sexo oral em seu apartamento em Manhattan e a segurou fisicamente na cama enquanto ela protestava. “Para cada pessoa que fica assustada, cansada, intimidada e envergonhada, eu sabia que esses eram os motivos pelos quais precisava continuar”, declarou.
Weinstein já havia recebido, em Nova York, uma condenação de 23 anos em 2020 por estuprar Jessica Mann e cometer um ato sexual criminoso contra Haley. A Corte de Apelações de Nova York anulou essa decisão em 2024, ao considerar inadequada a admissão de depoimentos de mulheres cujas acusações não integravam o processo.
No novo julgamento, realizado em 2025, Weinstein foi condenado pelo crime contra Haley e absolvido da acusação apresentada pela ex-modelo Kaja Sokola. O júri não chegou a uma conclusão sobre o caso de Jessica Mann, o que levou à anulação desse julgamento. Depois, os promotores abandonaram o processo porque Mann não queria testemunhar outra vez.
O juiz Curtis Farber determinou que a nova pena seja cumprida depois da sentença aplicada na Califórnia, mas a decisão final caberá às autoridades daquele estado. Weinstein tem uma condenação de 16 anos na Califórnia, cujo caso deverá passar por uma nova sentença após determinação de uma corte de apelações. Ainda não há data para a audiência.
Preso desde 2020, Weinstein está na unidade de Rikers Island, em Nova York, e foi hospitalizado várias vezes por causa de sua saúde. Em eventual liberdade, disse que gostaria de criar uma fundação voltada à reabilitação de detentos após a saída da prisão.


