Jason Statham encontra em “Código: Vingança” um protagonista familiar, mas o filme não consegue transformar essa repetição em algo especialmente interessante. A produção acompanha Cole Reed, veterano das Forças Especiais e ex-policial de Nova York que trabalha como motorista e segurança particular. Depois que seu empregador é assassinado em uma emboscada, ele parte em busca dos responsáveis e acaba envolvido com um navio usado para o tráfico humano.
A premissa combina um homem preparado para o combate com adversários reunidos em um espaço delimitado, aproximação que remete à franquia “Duro de Matar”. O roteiro, porém, amplia a história com conspirações, traições e revelações que não recebem desenvolvimento suficiente. As descobertas, assim, raramente tornam o conflito mais envolvente.
Um herói sem novidade
O passado militar de Reed e a tradição policial de sua família reforçam sua competência e seus princípios, mas não acrescentam uma característica capaz de diferenciá-lo dos muitos personagens interpretados por Statham. O ator transmite segurança nas cenas em que precisa enfrentar adversários, embora o papel dependa excessivamente da imagem que ele já consolidou no cinema de ação.
A própria motivação do personagem cria uma fragilidade no drama. A morte do chefe bilionário parece mobilizá-lo mais do que a situação das vítimas do tráfico humano. O crime funciona principalmente para apresentar a crueldade dos antagonistas, enquanto a vingança permanece concentrada na perda do patrão.
Annabelle Wallis recebe uma personagem com possibilidades relacionadas à própria família, mas sem espaço suficiente para desenvolvê-las. Outras figuras seguem caminhos previsíveis, e os diálogos acrescentam informações sem dar personalidade às relações. Essa limitação se torna mais evidente nos intervalos entre os combates, quando a investigação e os vínculos entre os personagens precisam sustentar a atenção.
A força está nos confrontos
É nas cenas de ação que o filme encontra sua melhor forma. O diretor Jean-François Richet filma e monta os confrontos com clareza, preserva o impacto dos golpes e aproveita a capacidade física de Statham. As sequências são sangrentas, e algumas estão entre as mais satisfatórias dos trabalhos recentes do ator.
Esses momentos mostram que a fórmula pode funcionar quando é executada com cuidado. O problema está na distância entre uma luta e outra. Não seria necessário preencher os 95 minutos com combates, mas as explicações sucessivas e as cenas prolongadas não constroem tensão suficiente. O resultado é um longa que parece arrastado apesar da curta duração e que tem dificuldade até para seguir a própria receita.


