Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Cães editados para eliminar alérgeno entram em fase de avaliação regulatória

Alfie e Bailey não apresentaram a proteína Can f 1, mas a técnica ainda precisa passar por testes e aprovação nos EUA.

Cães editados para eliminar alérgeno entram em fase de avaliação regulatória
Foto: Kindred Companion Sciences/Divulgação

A criação de cães geneticamente modificados para reduzir alergias ainda está distante de chegar ao público. A Kindred Companion Sciences precisa obter aprovação da FDA, o órgão regulador dos Estados Unidos, antes de comercializar animais com a alteração no DNA.

O experimento produziu duas beagles, Alfie e Bailey, que nasceram em setembro de 2024. Segundo os pesquisadores, as cadelas vivem há dois anos sem efeitos adversos observados até agora. A análise também não identificou a proteína Can f 1 na saliva ou nos pelos dos animais, duas formas de exposição aos alérgenos caninos.

O que foi alterado

A equipe usou a técnica CRISPR-Cas9 para desativar o gene Can f 1. A ferramenta teve sua invenção reconhecida com um prêmio Nobel em 2020. Depois da edição, os genomas das células foram transferidos para embriões, que foram implantados em uma cadela. Ela recebeu 25 embriões; dois deram origem aos filhotes.

O sequenciamento completo do genoma não encontrou outras mudanças inesperadas e detectáveis nos trechos de DNA analisados. Ainda assim, os pesquisadores afirmam que é necessário acompanhar os animais por mais tempo. Efeitos adversos podem surgir posteriormente ou aparecer apenas quando a técnica for usada em um número maior de cães, permitindo identificar ocorrências raras.

A empresa pretende produzir animais fundadores, capazes de se reproduzir naturalmente e transmitir a característica aos descendentes. Caso dois cães modificados cruzem entre si, os filhotes também poderão receber a alteração, dando início a uma linhagem de animais com menor potencial de provocar alergias.

Uma solução parcial

A edição não elimina todos os possíveis alérgenos caninos. Proteínas como a Can f 2 também podem desencadear reações. Além disso, atualmente não existem cães verdadeiramente hipoalergênicos. Shih tzus, poodles e schnauzers costumam soltar pouco pelo, o que pode ajudar pessoas com alergias leves, mas ainda produzem substâncias capazes de causar coceira e espirros.

A Kindred Companion Sciences publicou os resultados em agosto, na revista CRISPR Journal, em um artigo revisado por outros cientistas. Matt Walker, cofundador da empresa, disse que convive com alergia a cães e que passou a viver com Bailey há quase dois anos. Para ele, a cadela é saudável e a experiência mostra o possível impacto da pesquisa sobre pessoas que não conseguem adotar cães por causa das alergias.

Walker também afirmou que pretende aplicar o trabalho a cães de serviço, incluindo cães-guia, destinados a pessoas alérgicas. A empresa, porém, ainda precisa demonstrar a segurança da modificação e obter o aval regulatório antes que animais como Alfie e Bailey possam ser comprados.

A discussão envolve também os limites éticos da alteração genética. Alison Van Eenennaam, especialista em genética animal da Universidade da Califórnia em Davis, afirmou que tanto a edição genética quanto a criação tradicional produzem animais para companhia. Ela observou que práticas de seleção já deram origem a raças com problemas de saúde relacionados a características extremas, como cães de focinho achatado que respiram mal.

Walker reconheceu que os parâmetros éticos variam entre as pessoas, mas considera a proposta justificável diante dos benefícios potenciais, desde que a saúde dos animais seja protegida. Uma edição genética semelhante já foi feita em gatos há dois anos, mas felinos com menor potencial alergênico também não estão disponíveis ao público.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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