Uma declaração de Paulo Guedes sobre cassinos, jogos de azar e apostas esportivas voltou a circular nas redes sociais e reacendeu o debate sobre os limites da atuação do Estado nas escolhas financeiras dos cidadãos.
Durante uma reunião ministerial do governo de Jair Bolsonaro, realizada em 22 de abril de 2020, o então ministro da Economia defendeu que pessoas maiores de idade tivessem liberdade para decidir como gastar o próprio dinheiro. Para Guedes, a possibilidade de perder recursos em jogos não deveria justificar a intervenção estatal.
“É só maior de idade, o cara entra, deixa a grana lá que ele ganhou antes de ontem, bebe, sai feliz da vida, deixa cada um se fder!”, afirmou o ex-ministro no encontro. Em seguida, associou a posição ao discurso de liberdade defendido pela gestão: “O presidente fala em liberdade, deixa cada um se fder do jeito que quiser!”.
A gravação da reunião foi tornada pública meses depois, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), e expôs discussões internas do governo Bolsonaro. O trecho voltou a ganhar circulação em meio à mudança de orientação do governo federal sobre as bets.
As apostas esportivas foram legalizadas no Brasil em 2018, durante o governo Temer. A gestão de Jair Bolsonaro, porém, não concluiu a regulamentação no prazo previsto. O setor foi regulamentado em 2023, já no governo Lula, que posteriormente alterou a posição adotada e determinou, por meio de medida provisória de setembro de 2026, a proibição das bets.
O ressurgimento da fala coloca lado a lado a defesa da liberdade individual feita por Guedes e a decisão atual de restringir as apostas. A mudança mantém em discussão o papel do Estado e os limites da liberdade econômica no setor.


