CURITIBA — O Restaurante Imperial completa 60 anos preservando uma trajetória ligada à gastronomia e à memória do centro de Curitiba. Fundada em 1966, a casa recebe, em média, 500 pessoas por dia entre o almoço e o jantar. O Filé à Parmegiana, preparado com filé mignon e servido com o corte feito à colher diante do cliente, é o principal símbolo do endereço.
A história do restaurante atravessa famílias. Há clientes que conheceram o salão acompanhados dos pais ou dos avós e que agora voltam com os próprios filhos. Pessoas de 20, 40, 60 e 80 anos convivem no mesmo espaço, em uma continuidade que os proprietários associam ao ambiente familiar construído ao longo das décadas.
“O Imperial vive e respira o centro de Curitiba”, afirma Sergio Chueh. Para ele, o restaurante deixou de ser apenas um comércio e passou a integrar a memória de muitas pessoas.
Das origens ibéricas à permanência no centro
O Imperial foi aberto na Rua José Loureiro, 135, pelos imigrantes Victoriano Touron Souto, conhecido como Vitor, e Manuel Rosa Henriques. Espanhol, Vitor dividiu a fundação com Manuel, de origem portuguesa. Atualmente, a casa funciona no número 111 da mesma rua, mantendo a ligação com o centro da cidade.
O espaço original tinha cerca de 50 metros quadrados, poucas mesas, balcão e uma cozinha modesta. Nos primeiros anos, funcionava como um pequeno boteco frequentado principalmente por homens depois do trabalho. O cardápio reunia petiscos, receitas brasileiras e pratos de influência ibérica, como paella, bacalhau e risoto de polvo.
Com o crescimento do público, chegaram as famílias, os grupos de amigos e novas gerações de frequentadores. Em 1997, depois de mais de três décadas à frente do negócio, Victoriano se aposentou e vendeu o restaurante aos irmãos Sergio e Marcos Chueh, filhos de um antigo cliente. Em 2014, Marcos deixou a sociedade, e Sergio passou a administrar integralmente a casa ao lado da esposa, Leticia.
Mudança de endereço e preservação da memória
Em 2020, o restaurante enfrentou uma mudança decisiva. Durante a pandemia, morreu Ramiro Gil Sobrado, conhecido como “Espanhol”, garçom que havia trabalhado por 45 anos no Imperial. No mesmo período, depois de 55 anos no imóvel original, a casa precisou mudar de endereço.
A transferência ocorreu para o número 111 da Rua José Loureiro, a poucos metros do local de fundação. O imóvel havia abrigado a antiga redação do Diário do Paraná. Maior, o novo espaço passou a exibir fotografias históricas de Curitiba e imagens de garçons veteranos, entre eles Ramiro e Pedro dos Santos, o “Periga”, também ligado ao restaurante por 45 anos.
Entre os funcionários em atividade, o mais antigo é o garçom Edson Luiz Garret, que trabalha na casa desde 2007. A equipe aposentada e os profissionais que já morreram continuam presentes na memória cotidiana do restaurante.
Receitas tradicionais e movimento no salão
As paellas Marinera e Valenciana estão entre as receitas mais antigas e são servidas sob encomenda. O cardápio também mantém tutu de feijão, dobradinha, feijoada, língua com purê e ervilhas, costela assada, churrasco de igreja e diferentes preparos com filé mignon.
O Filé à Parmegiana ganhou atenção crescente ao longo do tempo, com mudanças no molho, nos queijos e na escolha dos ingredientes, sem abandonar o filé mignon. Em sábados de grande movimento, cerca de 300 unidades podem ser servidas somente no almoço. O consumo mensal ultrapassa uma tonelada de filé mignon.
Outra receita de destaque é o Mignon à Imperial, desenvolvido por Farid Chueh, pai de Sergio e Marcos. A preparação nasceu nas refeições dominicais da família e depois foi incorporada ao menu. O filé é grelhado na manteiga e acompanhado de aspargos, cogumelos, palmito, brócolis, arroz branco e batatas rústicas.
O restaurante também serve alcatra Orelha de Elefante, Ancho ao Alho e Óleo, costela assada das sextas-feiras e Filé Mignon ao Queijo Azul. À noite, a casa retomou os petiscos de boteco, como bolinhos de siri e carne, cascudinho à milanesa, pão com bolinho e pão com costela. A carta de bebidas inclui Aperol Spritz, Cosmopolitan, Daiquiri, Dry Martini, Rabo de Galo e Negroni.
Reconhecimento e continuidade
Ao longo de sua história, o Imperial recebeu nomes como Cauby Peixoto, Teixeirinha e Hermeto Pascoal. Para os proprietários, porém, a trajetória também é formada por cada cliente que passou pela porta.
O restaurante foi eleito por três anos consecutivos o Melhor Restaurante para Ir no Centro de Curitiba no Prêmio Bom Gourmet, em 2024, 2025 e 2026. Também recebeu, em 2025 e 2026, o título de Melhor Parmegiana da Cidade e venceu, em 2026, a categoria Melhor Restaurante para Levar um Turista. Na edição 2018/2019 do prêmio Veja Comer & Beber Curitiba, ficou entre os destaques da categoria Bom e Barato.
“Amamos o que fazemos e queremos continuar cuidando do Imperial da melhor maneira possível”, diz Sergio Chueh. A casa mantém atendimento para almoço de segunda-feira a sábado, das 11h às 16h30, com a cozinha até às 15h30. O jantar funciona de terça a sexta-feira, das 18h às 23h, com a cozinha até às 22h30.
O restaurante fica na Rua José Loureiro, 111, sobreloja, Centro, Curitiba/PR. Reservas podem ser feitas pelo telefone (41) 3222-1323. Nas redes sociais, o endereço é @restauranteimperial1966.


