Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Brasil

Promessa de Flávio Bolsonaro mobiliza reação católica por status de Aparecida

CNBB e bispos criticam a mistura entre religião e política após candidato defender decreto que declare o Brasil pertencente a Jesus Cristo.

O plano de Flávio Bolsonaro contra o status de Nossa Senhora Aparecida

A promessa do senador Flávio Bolsonaro (PL) de editar um decreto declarando que o Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo provocou reação da liderança católica e abriu uma disputa sobre o lugar dos símbolos religiosos na República durante a corrida presidencial de 2026.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lideranças regionais passaram a divulgar manifestações e vídeos voltados ao voto consciente. A entidade mantém a posição formal de não indicar partidos ou candidatos, mas o presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, afirmou que a combinação deliberada entre religião e política não produz resultados positivos.

Bispos do Regional Norte 1, que reúne Amazonas e Roraima, também advertiram os fiéis contra a “manipulação religiosa que pede votos em nome de Deus”. Nas mensagens, defenderam que as igrejas não sejam tratadas como currais eleitorais. A reação foi interpretada como uma resposta indireta à estratégia de campanha associada a Flávio Bolsonaro e à sua base evangélica neopentecostal.

O status de Nossa Senhora Aparecida

Setores católicos avaliam que a proposta pode atingir o reconhecimento de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira oficial do Brasil. A preocupação é relacionada a um precedente legislativo: em 2007, o então deputado e pastor Victorio Galli apresentou o Projeto de Lei 2623, que buscava restringir o título a “Padroeira dos brasileiros católicos”.

A leitura feita por esses setores é que o decreto funcionaria como respaldo jurídico e moral para uma mudança cultural associada à chamada Teologia do Domínio, corrente que defende a ocupação das esferas de poder por cristãos evangélicos. Nesse modelo, símbolos católicos reconhecidos por lei federal poderiam perder espaço institucional.

Episódios de intolerância

A resistência da Igreja também se apoia em episódios de hostilidade contra imagens sacras. Em 1995, o bispo Sérgio Von Helde protagonizou, na TV Record, o episódio conhecido como “chute na santa”. Em outubro de 2023, o pastor Sérgio Fernandes, de Bastos (SP), criticou a instalação de um monumento a Nossa Senhora Aparecida na entrada do município.

Autoridades policiais registraram ainda casos de depredação de paróquias e destruição simultânea de imagens sacras em estados como São Paulo e Paraná. As ocorrências foram enquadradas como crime de ultraje a culto, previsto no Artigo 208 do Código Penal.

Para a Igreja Católica, a proposta de Flávio Bolsonaro combina a expansão política do segmento evangélico com um histórico de ataques a símbolos católicos. A mobilização da CNBB e do clero indica que o reconhecimento institucional da padroeira passou a integrar o debate eleitoral.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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