Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Deputados pedem investigação sobre atuação de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos

Representação à PGR aponta possível atentado à soberania nacional e solicita análise do TSE sobre influência estrangeira no processo eleitoral.

Governistas acionam PGR contra Flávio Bolsonaro por atuação nos EUA

Deputados federais do PSOL e da Rede Sustentabilidade pediram à Procuradoria-Geral da República (PGR) a abertura de investigação sobre a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nos Estados Unidos. A representação sustenta que ele pode ter atentado contra a soberania nacional ao solicitar ao governo norte-americano que classificasse o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

O documento foi protocolado na sexta-feira (29) e é assinado por Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim, Duda Salabert, Luiza Erundina, Heloísa Helena, Luizianne Lins e Chico Alencar. Os parlamentares afirmam que a condução das relações internacionais é atribuição do presidente da República e que a iniciativa de Flávio poderia representar tentativa de interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.

Segundo a representação, o senador esteve em Washington D.C. entre 26 e 29 de maio, período em que se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Os autores também citam publicações de Flávio nas redes sociais nas quais ele afirma ter trabalhado pela classificação das facções e agradece às autoridades norte-americanas.

Os deputados pedem a instauração de inquérito policial federal para apurar eventual crime de atentado à soberania nacional, previsto no artigo 359-I do Código Penal. Também solicitam o envio dos fatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para que seja avaliada a existência de possíveis elementos de abuso de poder ou influência estrangeira no processo eleitoral.

A representação afirma ainda que a classificação pode abrir caminho para sanções econômicas e para medidas previstas na legislação norte-americana de combate ao terrorismo, com possíveis efeitos sobre empresas, instituições financeiras, pessoas e políticas públicas brasileiras.

Pedido apresentado ao STF

No sábado, o deputado Lindbergh Farias (PT) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a decisão dos Estados Unidos seja incluída como fato novo no processo em que Eduardo Bolsonaro responde na corte. O deputado relaciona a medida à investigação sobre suposta coação contra autoridades brasileiras.

Para Lindbergh, a atuação internacional de Eduardo Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Jair Bolsonaro e do jornalista Paulo Figueiredo estaria ligada a uma tentativa de pressionar instituições brasileiras e dificultar a cooperação penal internacional. Ele também afirma que a classificação das facções poderia deslocar investigações financeiras para estruturas de segurança nacional e inteligência dos Estados Unidos, com regras mais restritivas de acesso a informações.

Eduardo responde a uma ação no STF por supostamente articular, nos Estados Unidos, sanções contra o Brasil e integrantes de instituições brasileiras em 2025. Ele está no país desde fevereiro de 2025 e, conforme a denúncia, teria atuado para interferir no julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.

Na semana passada, Lindbergh havia pedido a inclusão de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro na investigação. A petição afirma que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e alvo de apurações sobre supostas fraudes financeiras, pode ter financiado a produção de um filme sobre Jair Bolsonaro, enquanto os recursos teriam sido redirecionados para manter e custear as atividades de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, encaminhou o pedido de ampliação à PGR. A nova petição busca acrescentar a decisão norte-americana aos elementos que serão analisados antes da manifestação final do órgão.

Em nota, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que a representação tenta usar o Judiciário como extensão de um projeto político. Também defendeu que buscar cooperação internacional contra as facções não deve ser criminalizado.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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