Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ideias, cultura e reportagem
Brasil

Flávio Roscoe recebeu R$ 900 mil de ex-controlador do Banco Neon

Doação foi feita em duas parcelas por Carlos Geo Quick, que virou réu por acusações de fraude contra o sistema financeiro nacional.

Candidato de Flávio Bolsonaro e Nikolas em MG recebeu R$ 900 mil de banqueiro denunciado por fraude
Foto: Thiago Kremers/AtoPress/Folhapress

O candidato do PL ao governo de Minas Gerais, Flávio Roscoe, recebeu R$ 900 mil em doações de campanha de Carlos Geo Quick, ex-controlador do Banco Neon. A instituição foi liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em maio de 2018, e Quick se tornou réu na Justiça Federal em abril de 2025, acusado pelo Ministério Público Federal de crimes contra o sistema financeiro nacional.

Os dados declarados ao Tribunal Superior Eleitoral mostram que o dinheiro foi transferido em duas parcelas, realizadas em agosto: uma de R$ 380 mil e outra de R$ 520 mil. Até 9 de setembro, o valor correspondia à 21ª maior doação individual de uma pessoa física nas eleições.

Quick também é acusado de gestão fraudulenta por meio de operações de crédito fictícias. A denúncia do MPF descreve uma estrutura que envolvia o Banco Neon, antigo Banco Pottencial, e a empresa Pottencial Assessoria e Consultoria, conhecida como PAC.

A acusação contra o ex-controlador

De acordo com as investigações do Ministério Público Federal, a PAC captava recursos sem autorização do Banco Central. Empresas depositavam dinheiro na conta da consultoria com a promessa de rendimento. Quando tentavam resgatar os valores, os controladores não devolviam os recursos. Em vez disso, simulavam a liberação de empréstimos no Banco Neon pelo mesmo valor solicitado.

A operação fazia com que as empresas aparecessem como devedoras de empréstimos fictícios na modalidade de conta garantida. O banco, por sua vez, registrava receitas falsas de juros e apresentava um patrimônio artificialmente inflado ao Banco Central e ao mercado financeiro.

Em março de 2025, o MPF apresentou a denúncia. No fim de abril do mesmo ano, a Justiça Federal em Belo Horizonte aceitou a acusação contra Quick por crimes relacionados à gestão fraudulenta do banco, ao prejuízo a investidores e à operação de uma estrutura financeira sem autorização.

Doação e campanha em Minas

A transferência ocorreu enquanto Roscoe ampliava sua exposição ao lado do senador e presidenciável Flávio Bolsonaro e do deputado federal Nikolas Ferreira, ambos do PL. Em 9 de setembro, os três participaram de uma motociata e de um comício em Juiz de Fora.

A mobilização havia sido tentada em 17 de agosto, mas uma tempestade levou os organizadores a transferirem o encontro para um ginásio em Belo Horizonte. Na nova agenda, Flávio Bolsonaro refez o percurso associado ao atentado contra Jair Bolsonaro em 2018 e declarou, do alto de um trio elétrico: “Completei o trajeto que ele não conseguiu”.

Roscoe se filiou ao PL em março de 2026 e é apresentado pela legenda como sua principal aposta para formar um palanque no estado. Antes disso, ele presidiu a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, a Fiemg, e se apresenta nas redes sociais como gestor experiente.

A assessoria de Roscoe afirmou que a doação foi feita diretamente ao partido, de forma legal, transparente e declarada pelo doador. Também disse que a relação entre o candidato e Quick decorre do convívio no meio empresarial de Minas Gerais e que a campanha será financiada por doações privadas, sem recursos públicos ou do Fundo Partidário.

A defesa de Quick afirmou que ele não mantém relação comercial com Roscoe e que fez a doação por acreditar nas propostas do candidato. Sobre as acusações apresentadas pelo MPF, os advogados informaram que o empresário não se manifestaria.

Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira foram procurados, mas não responderam aos questionamentos.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.