Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Exportações mineiras de aço aos EUA recuam 26% em valor após tarifas

Estudo da FIEMG mostra alta no volume embarcado, mas concentração em produtos de menor valor agregado mudou a pauta para os Estados Unidos.

Um ano após tarifaço de Trump, receita das exportações mineiras de aço aos EUA cai 26%, aponta FIEMG - FIEMG

As exportações de aço de Minas Gerais para os Estados Unidos cresceram 15% em volume entre 2025 e fevereiro de 2026, mas a receita obtida com essas vendas caiu 26%. Os dados constam de estudo divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), por meio do Centro Internacional de Negócios (CIN).

No conjunto das exportações mineiras para todos os destinos, houve avanço de 12% no peso comercializado, acompanhado de recuo de 1% na receita. A diferença entre volume e faturamento foi mais acentuada no mercado estadunidense, onde as tarifas alteraram a composição dos produtos enviados.

Mudança na pauta exportadora

Os embarques para os Estados Unidos passaram a se concentrar nos chamados aços semiacabados, utilizados como insumo para o processamento em siderúrgicas do país. São produtos de menor valor agregado, o que reduziu o preço médio por tonelada mesmo com o aumento da quantidade exportada.

Em 2024, os semiacabados representavam 19% das exportações mineiras de aço destinadas aos Estados Unidos. Os outros 81% correspondiam a produtos de maior valor agregado, como aços longos, tubos e canos, aços planos e inoxidáveis. Com a mudança no quadro tarifário, a participação dos semiacabados subiu para 53%.

As tarifas de 25% sobre o aço global entraram em vigor nos Estados Unidos no dia 12 de março de 2025. Três meses depois, a taxa foi elevada para 50%. Nesse cenário, os produtos que dependem de transformação posterior ganharam espaço, enquanto os aços acabados precisaram buscar compradores em outros mercados.

Apesar das barreiras, os Estados Unidos continuaram relevantes para a siderurgia mineira. Em 2025, aproximadamente 20% das exportações de aço de Minas Gerais tiveram aquele país como destino, o equivalente a cerca de 351 mil toneladas.

Parte dos embarques foi redirecionada. Países principalmente da América do Sul ampliaram as compras de aços longos e planos. Suíça, Paquistão e Itália também aparecem entre os mercados que absorveram produtos mineiros. Iraque, Bélgica, Catar e Índia ganharam relevância nas compras de tubos e canos e de aços inoxidáveis.

Efeito no comércio brasileiro

As tarifas também repercutiram nas compras feitas pelos Estados Unidos. Em 2025, as importações globais de aço pelo país caíram 12,6% em peso. As compras provenientes do Brasil recuaram 8,3%, para 3,7 milhões de toneladas.

Mesmo com a redução, o Brasil permaneceu como o segundo maior fornecedor de aço aos Estados Unidos, responsável por 16,3% do total importado. O país ficou atrás apenas do Canadá e à frente do México.

Para Flávio Roscoe, presidente da FIEMG, o novo cenário alterou a dinâmica do comércio internacional e tornou mais importante acompanhar a competitividade da indústria brasileira. “Minas Gerais conseguiu manter presença no mercado global, mas com mudança no perfil das exportações aos Estados Unidos”, afirmou.

O estudo também registra aumento das importações de aço por Minas Gerais. Em 2025, as compras externas cresceram 17% e chegaram a 284 mil toneladas, com preços 11% mais baixos. A FIEMG afirma que, em muitos casos, os valores ficaram abaixo do custo no mercado interno do país exportador, o que configura prática ilegal.

A China respondeu por 54% dessas importações, seguida por Indonésia, com 18%, e Japão, com 11%. Para a entidade, o quadro requer acompanhamento permanente diante do avanço de medidas protecionistas e do risco de práticas desleais no comércio internacional.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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