A tarifa adicional de 25% aplicada pelos Estados Unidos a produtos brasileiros alcança 15 dos principais itens exportados por Minas Gerais, que movimentaram cerca de US$ 234 milhões no mercado americano em 2025. O levantamento é do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (CIN/FIEMG).
A cobrança entrou em vigor nesta quarta-feira (22/7) e atinge mercadorias como equipamentos médicos, disjuntores, pedras preciosas trabalhadas, derivados de rochas e sebo bovino. Para a Fiemg, a medida pode afetar preços, margens e contratos dos segmentos envolvidos, além de reduzir a capacidade de competição com fornecedores de outros países.
Itens mais expostos
O sebo de bovinos, ovinos ou caprinos lidera a lista dos produtos mineiros sujeitos à tarifa, com quase US$ 34 milhões exportados. Em seguida aparecem os disjuntores de baixa tensão, com aproximadamente US$ 33 milhões. Minas Gerais respondeu por mais de 97% das exportações brasileiras dessa categoria em 2025.
As preparações capilares somaram pouco mais de US$ 22 milhões, enquanto pedras preciosas ou semipreciosas trabalhadas chegaram a cerca de US$ 21 milhões. Obras contendo magnesita, dolomita ou cromita registraram aproximadamente US$ 19 milhões. Nesses dois últimos segmentos, a participação mineira superou 99% do total exportado pelo Brasil.
Também estão entre os itens atingidos a ardósia natural trabalhada e os tijolos e peças refratárias com magnésio, cálcio ou cromo. Na área médica, válvulas cardíacas, lentes intraoculares e outros aparelhos de prótese somaram US$ 16,99 milhões. Agulhas, cateteres, sondas e produtos semelhantes destinados ao uso médico ou veterinário alcançaram US$ 8,29 milhões, com participação de Minas Gerais de 60,72% no total nacional.
Exceções preservam parte das exportações
A tarifa não incide sobre toda a pauta mineira. Café verde, ferro-gusa, ferronióbio, ferrossilício-manganês, ouro, carne bovina, celulose, mel natural e determinados produtos químicos estão entre as exceções.
Os 15 principais produtos mineiros isentos responderam por cerca de US$ 3,3 bilhões em exportações em 2025, muito acima dos aproximadamente US$ 234 milhões referentes aos itens submetidos à cobrança. O ferro-gusa, cujas exportações passaram de US$ 1 bilhão, ficou fora da medida; Minas Gerais representou quase 73% do total brasileiro.
O café verde mineiro alcançou aproximadamente US$ 1,6 bilhão no mesmo período, equivalente a cerca de 83% do valor exportado pelo país. Já o ferronióbio teve vendas superiores a US$ 200 milhões e participação mineira próxima de 94% do montante nacional.
Possível nova cobrança
A Fiemg também acompanha a definição sobre uma investigação americana relacionada à entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. O Brasil está entre os países para os quais o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs uma tarifa adicional de 12,5%. Se essa alíquota for confirmada e somada aos 25% já aplicados, a cobrança sobre os mesmos produtos poderá chegar a 37,5%.
A coordenadora de Facilitação de Negócios Internacionais do CIN/FIEMG, Verônica Ribeiro Winter, afirmou que a sobreposição das medidas pode alterar a disputa pelos compradores americanos. Para a entidade, as negociações entre os governos brasileiro e estadunidense devem continuar, com ampliação das exceções e definição sobre a eventual acumulação das tarifas.
Na terça-feira (21), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) declarou que o governo não descarta recorrer à Lei de Reciprocidade, embora mantenha disposição para negociar com Washington. As mudanças no programa Brasil Soberano, que oferece linhas de crédito a empresários afetados pelas tarifas, ainda não foram anunciadas. O governo deve esperar a definição sobre a alíquota de 12,5% antes de formalizar as medidas de apoio.


