Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Emenda de Flávio Bolsonaro para ONG é alvo de investigação da PF

Instituto recebeu R$ 2 milhões em emendas, e a Polícia Federal apura suspeitas na aplicação dos recursos destinados a projetos esportivos.

Flávio Bolsonaro enviou R$ 200 mil em emendas a ONG ligada a miliciano condenado pelo assassinato de Marielle

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) destinou R$ 200 mil em emendas parlamentares ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, o Ifop, entidade investigada por suspeita de ligação com Robson Calixto, conhecido como Peixe. Calixto foi condenado no caso do assassinato de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

A Polícia Federal apura se os repasses fizeram parte de um esquema de desvio de dinheiro público relacionado ao entorno da família Brazão. Conforme a investigação, Calixto teria intermediado os recursos obtidos junto ao gabinete de Flávio Bolsonaro. Na época, ele era assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e era apontado como homem de confiança do ex-conselheiro.

Ao todo, o Ifop recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares. Além dos R$ 200 mil enviados por Flávio Bolsonaro, a deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) destinou R$ 300 mil à organização. Chiquinho Brazão encaminhou R$ 1,5 milhão.

Recursos e suspeitas de execução

As emendas de Flávio Bolsonaro e Chris Tonietto tinham como objetivo financiar a compra de chuteiras para projetos esportivos infantis. Os recursos foram destinados, respectivamente, aos projetos Jogadores do Futuro e Vencedores do Futuro. Pais de alunos disseram que os filhos não receberam as chuteiras previstas no acordo, e também não houve confirmação da entrega dos materiais relativos à emenda de Chris Tonietto.

A execução dos recursos foi alvo de uma operação da Polícia Federal realizada em julho, em parceria com a Controladoria-Geral da União. A apuração investiga suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Auditoria do Tribunal de Contas da União identificou possíveis irregularidades na compra de materiais pelo Ifop com a verba enviada por Flávio Bolsonaro. O relatório apontou que a entidade não procurou condições vantajosas para a aquisição e não comprovou preocupação com economia ou eficiência no uso do dinheiro público.

Mensagens retiradas do celular de Calixto registraram conversas com Maria de Fátima Bezerra, assessora de Flávio conhecida como Fafá. Em outubro de 2023, ele pediu que ela verificasse com o senador a possibilidade de ajuda. Dias depois, voltou a cobrar atenção para o Ifop. A emenda foi enviada em 29 de novembro de 2023.

Respostas e antecedentes

A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que a destinação ocorreu dentro da legislação e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. Também declarou que a execução cabe à entidade beneficiária e que eventuais irregularidades devem ser examinadas pelos órgãos de controle.

O Ifop disse desconhecer a atuação de Calixto na obtenção da emenda, negou relações com ele ou com a família Brazão e afirmou ter contratado, em 2022, uma assessoria especializada para apresentar projetos a parlamentares. A organização declarou nunca ter mantido contato direto com Flávio Bolsonaro.

Robson Calixto foi preso em maio de 2024. Em delação premiada, Ronnie Lessa afirmou que Peixe adquiriu a submetralhadora HK MP5 usada no assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes. Denunciado pela Procuradoria-Geral da República por organização criminosa, Calixto recebeu condenação de nove anos de prisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, em fevereiro deste ano.

Chiquinho Brazão e Domingos Brazão foram sentenciados a 76 anos e três meses de prisão por organização criminosa armada, dois homicídios qualificados e um homicídio qualificado tentado. A emenda de Chiquinho, destinada a um projeto de capacitação de mulheres com aulas de informática na Baixada Fluminense, só foi liberada em 2025, depois da prisão do ex-deputado.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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