Uberlândia, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Ideias, cultura e reportagem
Brasil

Emendas de Flávio Bolsonaro foram tratadas com condenado por caso Marielle

Mensagens indicam que assessora negociou repasse de R$ 199 mil para projeto esportivo ligado a instituto no Rio.

Assessora de Flávio Bolsonaro negociou emenda com miliciano condenado no caso Marielle
Foto: Reprodução

Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tratou da liberação de emendas parlamentares com Robson Calixto, conhecido como “Peixe”. Calixto foi condenado em fevereiro deste ano pelo Supremo Tribunal Federal por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ).

O valor discutido nas conversas foi de R$ 199 mil, destinado por Flávio Bolsonaro a um projeto de futebol do Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio. A entidade está localizada no bairro Taquara, área de influência de Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, condenados pelo STF como mandantes da morte de Marielle.

A Polícia Federal vê indícios de desvios nos repasses. Os diálogos foram extraídos do celular de Calixto em março de 2024, durante uma busca e apreensão relacionada ao caso Marielle. Em uma das mensagens, ele pede ajuda ao senador por meio da assessora. Ela solicita que o pedido seja formalizado por e-mail ou ofício, o que foi feito.

As conversas prosseguiram com cobranças sobre a liberação dos recursos. Em novembro, Calixto perguntou se o senador poderia ajudar o projeto e, dias depois, a assessora afirmou que faria uma ligação. Em 22 de março de 2024, ele escreveu que havia consultado as destinações parlamentares e não encontrara recursos do senador, mas aguardava uma resposta.

A assessoria de Flávio Bolsonaro afirmou que os repasses foram realizados dentro da lei e obedeceram a critérios técnicos do Ministério do Esporte. Também declarou que a entidade apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu os valores não utilizados. Segundo a manifestação, a responsabilidade pela execução é da entidade beneficiária, e eventuais irregularidades devem ser examinadas pelos órgãos de controle.

Calixto recebeu pena de 9 anos de reclusão por integrar uma milícia. Chiquinho Brazão e Domingos Brazão foram condenados, cada um, a 76 anos e 3 meses de prisão por ordenar a morte de Marielle e chefiar uma milícia na zona oeste do Rio de Janeiro.

As mensagens também registram um pedido da assessora por 4 ingressos para o desfile das campeãs, em um camarote na Sapucaí. Investigadores classificaram a solicitação como vantagem indevida. Em outubro de 2023, ela ainda convidou Calixto a levar Chiquinho Brazão a uma cerimônia da Polícia Militar do Rio para cobrar pessoalmente Flávio Bolsonaro pela liberação dos recursos.

Em julho, a Polícia Federal deflagrou uma operação para investigar suspeitas de desvios de emendas destinadas por Chiquinho Brazão a organizações não governamentais no Rio. A apuração envolve suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além do uso de empresas interpostas e pagamentos indevidos para ocultar a origem e o destino dos valores.

O advogado de Calixto, Gabriel Habib, não respondeu aos contatos feitos por mensagem e telefone. Cleber Lopes, que representa Chiquinho Brazão, disse que não se manifestaria. A defesa de Domingos Brazão informou que não cuida do tema relacionado às emendas.

Texto produzido pela Redação Olhar Plural com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.