ÍNDIA — Lothal, cidade portuária associada à Civilização do Indo, possuía uma estrutura hidráulica que permitia controlar a entrada e a saída de água. Interpretada por arqueólogos como uma doca, a bacia era ligada a um antigo canal de maré e possibilitava que embarcações chegassem às áreas de trabalho situadas no interior da cidade.
A Civilização do Indo está entre as sociedades urbanas mais antigas documentadas. Seus centros eram conhecidos pelo planejamento das cidades e por redes comerciais que alcançavam diferentes regiões. Nesse contexto, Lothal se distinguia pela infraestrutura voltada ao transporte marítimo, favorecida por sua posição próxima a cursos d’água costeiros.
Uma doca conectada às marés
De acordo com a UNESCO, a grande bacia de Lothal foi construída para manter condições mais estáveis para as embarcações dentro dos limites urbanos. A estrutura permitia administrar as variações naturais do nível da água, em vez de deixar o acesso dos barcos depender apenas de um curso d’água aberto.
A ligação com o canal de maré fazia com que os barcos aproveitassem o movimento natural das águas para entrar e sair da bacia. Com isso, o transporte entre as embarcações, as oficinas e os espaços de armazenamento podia ocorrer mais perto do centro da cidade, reduzindo a necessidade de manobras constantes contra correntes e mudanças no nível da água.
Oficinas e mercadorias importadas
Escavações encontraram oficinas dentro da cidade e materiais identificados como provenientes de outras regiões. Os achados indicam que Lothal participava ativamente das redes comerciais da Civilização do Indo e não funcionava apenas como ponto de passagem para embarcações.
A presença simultânea de produção artesanal e itens importados sugere que mercadorias eram processadas e transformadas no local antes de serem redistribuídas pela rede comercial. A combinação entre a doca, o canal de maré e as evidências de atividade produtiva ajuda a reconstruir a relação entre infraestrutura, comércio e vida urbana na cidade.
Para os arqueólogos, Lothal oferece elementos para compreender tanto as rotas comerciais marítimas quanto as técnicas empregadas na construção de estruturas portuárias. O sítio também permite observar como uma cidade da Civilização do Indo incorporou as variações naturais das marés ao funcionamento de seu sistema de transporte.


