ALPES SUÍÇOS — A lã de ovelha manteve sua estrutura depois de um verão exposta às condições de uma geleira e apresentou desempenho próximo ao das coberturas sintéticas na redução do degelo. O resultado foi observado no glaciar Tsanfleuron, na região de Glacier 3000, onde quatro estudantes instalaram protótipos para avaliar o uso do material como proteção térmica.
A equipe voltou ao local a cada duas semanas. Nesse acompanhamento, mediu a quantidade de neve e gelo perdida e verificou a resistência da lã às condições extremas da montanha. Os primeiros dados apontaram uma redução localizada do derretimento entre 50% e 70%.
O experimento faz parte do Keep It Wool, projeto desenvolvido desde 2025 por estudantes da Universidade de Lausanne e da Summit Foundation. Em 22 de junho de 2026, os participantes cobriram duas áreas de 100 m² cada com protótipos de densidades distintas: 400 e 750 gramas por metro quadrado. Uma cobertura geotêxtil convencional foi instalada ao lado, permitindo a comparação entre os materiais.
A lã atua como isolante térmico. A cobertura bloqueia parte da radiação solar e reduz a troca de calor entre o ambiente e a superfície congelada. Suas fibras também retêm pequenas bolsas de ar, o que dificulta a transferência de calor.
O desempenho registrado, porém, não significa que a técnica possa impedir o desaparecimento das geleiras. Os geotêxteis protegem atualmente cerca de 0,02% da superfície glaciar da Suíça e preservam aproximadamente 300 mil m³ de neve por ano. As perdas, por outro lado, podem chegar a 1 bilhão de m³ anuais.
A ampliação da cobertura para áreas suficientemente grandes custaria mais de US$ 1,5 bilhão e não resolveria o aumento das temperaturas. Entre as próximas questões do projeto estão o comportamento da lã após vários ciclos de congelamento, chuva e vento, além dos custos e do impacto ambiental da solução.


