Tom Cruise interpreta em Digger um magnata do petróleo cuja trajetória é marcada por um desastre ambiental de proporções internacionais. Digger Rockwell, dono de uma empresa familiar, precisa responder pelas consequências de uma explosão em uma plataforma na Groenlândia, depois que um grande iceberg se desprende e segue em direção à Europa.
O personagem representa uma mudança em relação aos papéis de ação que marcaram a carreira recente de Cruise, conhecido por trabalhos como Top Gun: Maverick e a franquia Missão: Impossível. Aos 64 anos, o ator aparece sob próteses e maquiagem, com sotaque carregado e uma interpretação que alterna exagero e contenção.
“Eu nunca vi e muito menos tive o privilégio de viver um personagem como este no cinema”, afirmou Cruise. O papel o coloca na corrida pelo Oscar, embora o filme tenha recebido opiniões mistas da crítica especializada. O ator ganhou uma estatueta honorária em 2025 por suas contribuições à indústria cinematográfica, mas nunca foi premiado pela Academia por suas atuações, apesar de ter recebido três indicações.
Uma sátira sobre poder e crise ambiental
Dirigido por Alejandro González Iñárritu, Digger constrói uma sátira da sociedade americana e de suas elites. Além de Digger Rockwell, o filme apresenta o presidente Compson, personagem interpretado por John Goodman, e o Dr. Ganesh, vivido por Riz Ahmed.
Na história, Digger precisa lidar com o desastre ao lado do governo. A explosão ocorre em uma plataforma localizada na Groenlândia, e o deslocamento do iceberg cria uma ameaça para diferentes países. O empresário é alertado pelo Dr. Ganesh sobre as possíveis consequências do fenômeno.
Iñárritu começou a desenvolver o projeto quando filmava O Regresso, em 2015. Durante aquela produção, a equipe encontrou locações sem a neve e o gelo esperados para a época. A experiência levou o diretor e a corroteirista Sabina Berman a escreverem sobre as mudanças climáticas e sobre o interesse de empresas petrolíferas em possíveis reservas no Ártico, que se tornaram mais acessíveis com o degelo.
“Era como se estivéssemos fazendo um documentário do futuro”, disse o cineasta ao recordar o processo de criação. Para ele, a realidade passou a alcançar rapidamente as situações imaginadas para o roteiro.
A trama também estabelece relações com acontecimentos do mundo real. Em agosto, uma empresa petrolífera americana levou equipamentos à Groenlândia sem autorização, provocando tensão com autoridades do território, que havia despertado o interesse do presidente americano Donald Trump.
Iñárritu afirma que o filme trata de assuntos sérios por meio de um registro satírico e absurdo. Cruise, por sua vez, considera que a produção não aponta culpados diretamente, mas oferece um espelho para a reflexão. O longa estreia nos cinemas nesta quinta-feira, 1º.
