CAMBOJA — Koh Ker foi capital do Império Khmer entre 921 e 944. Em apenas 23 anos, a cidade recebeu um conjunto monumental de templos, santuários e estruturas hidráulicas, além de construções com enormes blocos monolíticos.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura descreve o período como uma fase de intensa atividade construtiva. A escala das obras, concentradas em pouco mais de duas décadas, exigiu a mobilização de recursos e mão de obra em um intervalo relativamente curto para a história do império.
Pedras e logística
Parte das estruturas de Koh Ker foi erguida com blocos monolíticos gigantes — peças únicas de pedra que precisavam ser extraídas, transportadas e posicionadas. O uso desse material em escala ampliou as exigências de planejamento logístico durante o período em que a cidade exerceu a função de capital.
A combinação entre a brevidade do período e o volume das construções distingue Koh Ker de outras capitais do Império Khmer. Templos, santuários e sistemas hidráulicos foram reunidos em uma cidade planejada e levantada durante o intervalo de 921 a 944.
O abandono e a floresta
Após 944, Koh Ker deixou de ser a capital do Império Khmer. A mudança interrompeu o ritmo de construção que havia marcado os 23 anos anteriores e reduziu o investimento na cidade, que já não concentrava as funções administrativas e religiosas centrais do império.
Com o declínio de sua importância política, a vegetação da floresta cambojana cobriu progressivamente o conjunto monumental. Ao longo dos séculos seguintes, a copa das árvores ocultou boa parte das estruturas, contribuindo para que a antiga cidade desaparecesse da paisagem.
A cobertura vegetal também preservou parte do conjunto de Koh Ker. Essa condição permite hoje que arqueólogos estudem uma cidade erguida de forma excepcionalmente rápida há mais de mil anos, quando o local ocupava uma posição central na estrutura política do Império Khmer.


